“Há tempos falou-se vagamente que a municipalidade, solicitada por uma comissão esportiva, havia resolvido construir um vasto estádio no Campo da Redenção. Parece que a boa nova era, senão inexata, pelo menos exagerada, pois na distribuição de créditos ultimamente feita para realização de obras municipais apenas figura a importância de ‘40’ contos para ‘construção de praças de desportos’. Ora, tal verba é manifestamente deficiente para organizar um estádio que corresponda ao grau de progresso desta capital. Hoje é raro encontrar-se uma cidade de mediana importância que não tenha um estádio oficial onde podem encontrar-se, em terreno neutro, as associações locais de jogos ao ar livre. E ultimamente nas grandes capitais da Europa vêm-se realizando periódica e sucessivamente, ora numa ora noutra, grandes certames internacionais, onde são executados com perfeita fidelidade os jogos olímpicos da antiga Grécia e que são assistidos por milhares de pessoas vindas de todas as partes do mundo. A utilidade dos esportes para a educação física da mocidade é hoje tão evidente que não carece mais ser demonstrada; entretanto, para dar uma prova mais concreta dessa afirmação, citaremos dois fatos recentes que se deram durante a grande guerra europeia. No início das hostilidades, a Inglaterra, que apenas dispunha de um pequeno número de soldados, surpreendeu o mundo com a rapidez com que organizou um poderoso exército que entrou logo em campanha. E esse excelente resultado foi atribuído, com justa razão, à prática dos esportes, que é excessivamente generalizada entre os ingleses. Outro fato não menos convincente: O general Pershing, chefe do exército norte-americano em operação na França, mandou construir, em plena guerra, nas imediações de Paris, um imenso estádio podendo conter trinta mil espectadores, onde os seus recrutas, nas horas de lazer, apuravam ainda mais a sua agilidade e seu ardor combativo, qualidades essas apreciáveis no soldado em campanha. E isto foi numa época essencialmente trágica, em que não se perdia tempo com futilidades. Após a guerra, os norte-americanos, num gesto simpático de generosidade, ofereceram esse estádio gigantesco à municipalidade de Paris, ficando assim essa cidade com três estabelecimentos deste gênero. Tudo isto mostra bem que valioso fator representam os esportes na defesa militar de um país e que tudo quanto se fizer no sentido de melhor desenvolvê-los corresponde a um esforço em proveito da pátria. Enfim, os esportes são hoje tão propagados no estrangeiro que até as senhoritas os praticam com verdadeiro entusiasmo [...] O que precisamos aqui é de um grande estádio edificado no Campo da Redenção, com arquibancadas de concreto armado para duas ou três mil pessoas e uma vasta pista central onde se possam realizar certames diversos de jogos ao ar livre. Sob o ponto de vista econômico, achamos que essa construção não constituiria ônus para a municipalidade, pois a renda proveniente da exploração, mediante concorrência, com preços de entradas previamente fixados, bastaria de sobejo para pagar os juros da importância despendida. Essa obra corresponderia a uma verdadeira aspiração da população da capital, que tem para este gênero de diversão uma pronunciada predileção, como bem o demonstra a existência de numerosas associações esportivas. E, tudo considerado, seria também uma justa compensação feita a essa população que, desde longos anos, vem presenciando resignada a mutilação do Campo da Redenção, não obstante ter sido ele legado à municipalidade sob expressa e explícita condição de ser sempre conservado como logradouro público. Logradouro público — dizem os dicionários — é um terreno que pertence à municipalidade e em que o público tem direito a entrar. Apesar disto, o Campo da Redenção tem sido sucessivamente retalhado em parcelas que, ou foram vendidas a particulares, ou concedidas gratuitamente a instituições extra oficiais, às quais o público é estranho, ou muito indiretamente interessado. ‘Pão e jogos no circo!’, imploravam os romanos de seu governo. Nós dispensamos o pão, o que, dado seu preço atual, constitui já um sacrifício, mas pedimos os jogos ao ar livre, pois além de sua inestimável utilidade, servirão também para mitigar as agruras dos impostos que pagamos, com todo o seu interminável cortejo de taxas e adicionais. — Julio Nectoux”
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Chuvas
“Não obstante a cessação das chuvas, a enchente continua no 8º distrito [correspondente ao atual bairro Arquipélago, formado pelas ilhas do Delta do Jacuí], preocupando seriamente a população que se encontra ainda alarmada. As águas descem e sobem, invadindo casas e campos. O subintendente, capitão Oscar Schmidt, com o auxílio da polícia local e outras pessoas, trabalham ativamente, prestando socorros a todos que os solicitam. Diversas embarcações se acham em serviço de salvamento, não só de moradores como dos animais que têm sido transportados para outros lugares. O Grêmio Adrovando Leão e a Comissão Distrital do Partido Republicano, tendo à frente o dr. Álvaro Magno Nunes, muito têm se esforçado no sentido de evitarem maiores prejuízos. Como em outras localidades do Estado, também choveu abundantemente na cidade de Cachoeira e no interior desse município durante a semana finda. O rio Jacuí saiu fora do leito, alagando as várzeas marginais e dificultando o trânsito entre aquela cidade e o interior do município. A estrada geral que vai dali ao Alto do Amorim ficou intransitável no ponto em que é atravessada pelo arroio Amorim, cujas águas foram represadas pelas águas do Jacuí. Desde segunda-feira as águas começaram a baixar. Durante uma semana, ficaram interrompidos o trânsito de carroças de frete pelas ruas e os trabalhos nas obras em construção.”
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O dia 23 de julho na história
- 636 Os árabes tomam do Império Bizantino o controle da Palestina.
- 1798 Napoleão Bonaparte conquista Alexandria, no Egito.
- 1813 Malta se torna de fato uma colônia britânica.
- 1840 Declarada a maioridade de Pedro II, que se torna imperador, encerrando o período regencial e iniciando o Segundo Reinado do Brasil.
- 1881 Assinado em Buenos Aires o tratado de fronteira entre o Chile e a Argentina.
- 1892 Nasce em Ejersa Goro o imperador da Etiópia e divindade rastafari, Haile Selassie I.
- 1900 Primeiro Congresso Pan-africano em Londres.
- 1903 O primeiro carro da Ford é vendido nos EUA.
- 1904 O cone de sorvete é inventado por Charles Menches durante a feira mundial em St. Louis, EUA.
- 1906 Pogroms em Odessa, Império Russo.
- 1920 África Oriental Britânica é renomeada Quênia e se torna colônia da coroa.
- 1921 Fundação do Partido Comunista Chinês em Xangai sob a orientação da Internacional Comunista (Comintern).
- 1922 Fundado em Moscou o clube de futebol Locomotiv.
- 1929 Banimento de palavras estrangeiras pelo governo fascista da Itália.
- 1932 Alberto Santos-Dumont comete suicídio em Guarujá, litoral paulista.
- 1944 Assinados os acordos da conferência de Bretton Woods. Criação do Fundo Monetário Internacional.
- 1952 O general Naguib lidera movimento militar e a monarquia é derrubada no Egito.
- 1965 O single “Help”, dos Beatles, é lançado na Grã-Bretanha.
- 1965 Nasce em Londres o músico Slash, guitarrista da banda americana Guns N’ Roses.
- 1967 Revolta racial em Detroit deixa 43 mortos e mais de mil construções destruídas.
- 1970 Qaboos bin Said al Said destitui o pai, Said bin Taimur, e se torna sultão de Omã, encerrando guerra civil.
- 1974 Termina a ditadura militar grega, iniciando o período de redemocratização chamado Metapitefsi.
- 1988 Após protestos de rua, o general Ne Win, líder de Burma (atual Myanmar) desde 1962, renuncia.
- 1989 Nasce em Londres o ator Daniel Radcliffe, famoso por interpretar o personagem Harry Potter no cinema.
- 1993 Oito crianças e adolescentes em situação de rua são assassinados por milicianos nas escadarias da Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro.
- 2011 Morre em Londres aos 27 anos a cantora e compositora inglesa Amy Winehouse.
- 2013 Morre em São Paulo o cantor, compositor e acordeonista Dominguinhos.
- 2013 Morre em Uberaba o ex-jogador Djalma Santos, campeão com a Seleção Brasileira das Copas de 1958 e 1962.
- 2014 Morre em Recife o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, autor de “O Auto da Compadecida”.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
