Há um Século no CP

Velhos problemas no Caminho Novo

Da edição de 31 de março de 1926, quarta-feira, n. 75

A rua Voluntários da Pátria, famosa pela denominação de Caminho Novo, era uma das principais vias comerciais e industriais da cidade no início do século passado
A rua Voluntários da Pátria, famosa pela denominação de Caminho Novo, era uma das principais vias comerciais e industriais da cidade no início do século passado Foto : CP Memória

“Para se transitar pelo Caminho Novo [rua Voluntários da Pátria] requerem-se verdadeiros prodígios de habilidade! Tanto assim que aquele que se não julgue um hábil equilibrista não pense em atravessar impunemente esse bairro, salvo se, para não dar maior trabalho, levar junto de si o carro da Assistência! O menos que poderá suceder-lhe é, na queda, em um qualquer dos seus múltiplos buracos, estatelar-se e quebrar uma perna ou contundir o nariz! O Caminho Novo está cada vez mais intransitável! O descaso da Intendência tem operado o milagre dum original desenvolvimento da cultura dos buracos! Os que há uns anos eram pequenos ainda, cresceram, medraram, criaram raízes, lançaram rebentos a tal ponto que é uma beleza a plantação de precipícios que ali se observa! O desenvolvimento e riqueza da cultura de buracos no Caminho Novo correm parelhas com a do café no Estado de São Paulo! Se desse dinheiro, teria a Intendência uma bela fonte de receita! Não dá rendimento, é certo, mas faz dar trambolhões a torto e a direito. E ninguém escapa do pagamento desse tributo! Homem, mulher ou criança, todos tropeçam, todos escorregam, e muito embora se diga que nem sempre cai quem escorrega, no Caminho Novo escorregam e caem que é uma consolação para as farmácias, com compra de arnica, álcool, algodão e fios, na melhor das hipóteses! Por ocasião do Centenário da Independência houve quem alvitrasse, como participação da nossa capital à festa pátria, o conserto desse bairro! Mas já lá vão seis anos e tudo como dantes quartel-general em Abrantes! Esperemos pelo segundo centenário…”

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Presidente tricolor

“Em sessão de assembleia geral, domingo último realizada, pela manhã, foi eleito para presidente do Grêmio F. B. Porto-Alegrense o conhecido desportista sr. James Buchi para o término do atual mandato de 1926 em virtude da renúncia do desportista sr. Luiz Pinto Chaves Barcellos. Na mesma assembleia geral, que teve uma grande concorrência de sócios, foram eleitos sócios beneméritos do Grêmio os antigos campeões gremistas e conhecidos desportistas dr. Luiz F. Alencastro e Álvaro Antunes. Na mesma sessão foram aceitos numerosos sócios, entre os quais os brilhantes tenistas Álvaro e Paulo Osório e Carlos Maria Bins. O novo presidente do Grêmio, figura de destaque do nosso mundo desportivo, tem recebido numerosos cumprimentos e o Grêmio pode ter certeza de estar entregue em mãos capazes que bastante o há de engrandecer.”

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Primeiras edições

Da edição de 31 de março de 1896, terça-feira, n. 77

Renovação
“Chamamos a atenção da intendência municipal para o estado, mui vizinho da ruína, em que se acham uns velhos sobradinhos à travessa Paysandú [atual rua Caldas Júnior, no Centro Histórico]. Os pobres, como dois velhinhos decrépitos e valetudinários, curvos e engelhados, debruçam-se para o passeio, ameaçando a todo o momento cair sobre os transeuntes, que os olham com a curiosidade e o devido respeito que se tem pelas coisas antiquadas, mas também com os cuidados e as reservas que inspiram as torres inclinadas e as obras pênseis. Os velhos sobradinhos são, na verdade, dois genuínos representantes dos longos tempos idos, talvez que dos fundamentos desta ex-leal e valorosa, quando ainda não possuía títulos nem brasões e apenas modestamente se denominava Porto dos Casais. Os seus carcomidos e esboroados atavios de frontispício isso o demonstram. Seriam então muito de luxo e muito para ser notados, um só não, mais dois sobradinhos de varanda ou sacada, deitando garridamente para a rua, embora a balaustrada e o engradamento do desnecessário acessório fosse, como era, de madeira tosca… Hoje, porém, que essa extravagância arquitetônica envelhecida apodreceu, não vale a pena conservá-la como curiosa antiguidade, em ameaço constante da segurança das pessoas que lhe passam ao pé. Aquele varandim de madeira, atacado e corroído pelo caruncho destruidor, deve quanto antes ser também investido e desmantelado pelo camartelo demolidor da intendência municipal, a quem em momento de bom humor endereçamos este pedido: Vá!, senhores da edilidade, pardieiros abaixo!”

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O dia 31 de março na história

  • 1492 O Decreto de Alhambra ordena a conversão ou a expulsão dos judeus e muçulmanos da Espanha.
  • 1596 Nasce em La Haye en Touraine o filósofo, cientista e matemático René Descartes.
  • 1814 As forças da coalizão que derrotou Napoleão entram em Paris após a rendição do exército francês.
  • 1889 A construção da Torre Eiffel, em Paris, é oficialmente concluída.
  • 1917 A posse das Ilhas Virgens, no Caribe, passam da Dinamarca para os Estados Unidos após compra do território por US$ 25 milhões em ouro.
  • 1918 Cerca de 12 mil azeris muçulmanos são assassinados por grupos armados armênios e bolcheviques em Baku e entornos.
  • 1931 Terremoto destrói Manágua, capital nicaraguense, matando cerca de 2 mil pessoas.
  • 1948 Nasce em Washington o político e ambientalista americano Al Gore.
  • 1955 Nasce em Glasgow o músico Angus Young, guitarrista da banda australiana AC/DC.
  • 1964 O general Olímpio Mourão Filho ordena o deslocamento de suas tropas para o Rio de Janeiro, iniciando o golpe de 1964 que irá implantar a ditadura militar no Brasil.
  • 1980 Morre em Tucson o atleta afro-americano Jesse Owens, vencedor de quatro medalhas de ouro em frente a Hitler, nos Jogos Olímpicos de 1936.
  • 1990 Cerca de 200 mil pessoas protestam nas ruas de Londres contra novo imposto (Poll Tax) ordenado pela primeira-ministra Margaret Thatcher.
  • 1991 Quase 99% dos votantes apoiam a independência da Geórgia da União Soviética.
  • 2009 Morre o ex-presidente argentino Raúl Alfonsín, o primeiro eleito democraticamente após a ditadura militar.
  • 2018 Começam os protestos antigoverno na Armênia.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios.