Juremir Machado da Silva

É duro ser modestamente o melhor e o mais livre

Há muito tempo que eu sou modestamente o melhor escritor e o melhor jornalista do Brasil. Essa constatação, que só posso fazer baseado na minha incrível isenção, provoca a ira dos lacerdinhas, que procuram me atingir com ofensas absurdas:

– Teus livros são muito ruins!

Que bobagem. Sou merecedor do Nobel da literatura.

– Se tu fosses bom, trabalhavas no Rio de Janeiro.

Deus me livre. Só quero passar férias naquela bagunça linda.

– A tua obrigação é ser isento.

– Como quem?

– Reinaldo Azevedo e Merval Pereira.

Ser o  melhor é muito desgastante. A cobrança é muito grande.

– Você só critica por ressentimento.

Como pode o melhor ser ressentido?

– É que tu não tens reconhecimento.

Tenho o meu. Eu me basto. Um megalomaníaco só reconhece o seu próprio reconhecimento.O reconhecimento dos demais não está à sua altura, nada lhe acrescenta e, embora seja um bom registro, não passa de redundância.

Agora tentam me rotular de petista. Eu??? Não tenho partido. Se tivesse, seria do PSOL para a esquerda.

Sem marxismo.

Talvez eu funde meu partido.

O lema do meu partido seria: nem Mantega nem Armínio Fraga.

Sou um analista frio. Toda vez que alguém atesta o fim das ideologias eu sei que se trata de uma pessoa profundamente ideológica e disposta a tudo para impor o seu direitismo. Toda vez que eu pessoa me fala de marxismo eu sei que se trata de alguém profundamente pragmático disposto a tudo para conquistar e se manter no poder no capitalismo.

Isenção é quando a opinião do jornalista coincide com a do leitor.

Pelo mesmo text0 eu sempre sou parcial e imparcial.

Saímos da guerra fria e entramos na guerra quente: lacerdinhas X petistas; coxinhas X petralhas (é o rótulo mais medíocre já bolado por alguém, quase tão pobre quanto o plagiado da França por Rodrigo Constantino, esquerda caviar).

Só um gênio como eu para perceber tudo isso e se manter neutro.

Carlos Lacerda voltou com a sua UDN.

É que 1964 ainda  não acabou.