1930 na Feira do Livro
É hoje.
Às 18h30, na Feira do Livro de Porto Alegre.
Eu queria autografar “1930: águas da revolução” ao lado do meu mais novo velho amigo, Gabriel d’Ávila Flores, 98 anos de idade. Gabriel deve ser o último dos combatentes daquela tarde de 3 de outubro em Porto Alegre. Mas ele tem andado doente, hospitalizado. Conserva o brilho nos olhos quando se trata de 1930. Afinal, ele é o protagonista da história. Estava lá. Lutou e viu gente morrer. Uma história que continua produzindo belas histórias. Sinval Medina acaba de lançar “A batalha de Porto Alegre – 3 de outubro de 1930” (Martins Livreiro). Moacyr Scliar vem de publicar um romance ambientado nos tempos da revolução de 30: “Eu vos abraço, milhões”.
Depois de hoje, vou fechar para reflexão. Novos projetos me consomem. Já estou mergulhado nas leituras e pesquisas sobre a “Legalidade”, que completará 50 anos em 2011. Virei um fanático por datas redondas. Como ironiza Scliar, 80 anos não é um data tão redonda assim. Deve ser por isso que as oito décadas da revolução de 1930 foram ignoradas pela mídia nacional. Sonho em escrever um romance cujo título me persegue há anos: “O inferno no paraíso”. Quero passar três anos pesquisando sobre a segunda-feira, 14 de maio de 1888. No meu computador, guardadinhos, restam uma nova e ampliada versão de “A prisioneira do castelinho do Alto da Bronze”, exigindo alguns retoques, e uma narrativa escrita no verão de 2008, “Um escritor no fim do mundo – viagem com Michel Houellebecq à Patagônia”. Verei o que faço. Estou pensando em virar poeta. Ou em ser cantor da noite. Em Palomas. Outra opção é aprender a tocar violino. E gaita.
Trabalhei duramente para desconstruir alguns mitos da Revolução Farroupilha e para reconstruir a imagem da Revolução de 1930. Já posso me aposentar. Quem sabe comprar uma chácara em Palomas e voltar a vender melancias na beira da BR-158. Ou virar porteiro de cabaré. Sempre penso nessa possibilidade. Na verdade, desde que conheci o Seu Alberto, quando fiz uma série de reportagens, mais tarde publicada no livro “A noite dos cabarés”, numa espelunca de Porto Alegre. Seria a maldição suprema, o gesto artístico por natureza, a minha obra-prima. Por enquanto, espero vocês para mais uma sessão de autógrafos. Sei que ninguém aguenta mais. Prometo que, se não parar definitivamente com os livros, darei um tempo. Digamos, sem exagero, um mês. Brincadeirinha! Na última vez, há uma semana, sequei uma caneta autografando. Havia pouca tinta nela. Outra brincadeirinha. Ando brincalhão. Sou meu personagem!
Os assinantes do Correio do Povo podem ir buscar um autógrafo com os livros adquiridos na promoção aqui da casa. Os demais podem comprar o livro na Feira e pegar a minha assinatura. Meu livro é uma homenagem ao Seu Gabriel. Meu Deus do céu, ele viu tudo. Atravessou o século XX vendo o Brasil mudar. Contou-me tudo com lucidez lúcido e cheio de entusiasmo pelo que viu. Se eu não me aposentar, espero chegar até a idade dele publicando livros e convidando para autógrafos. Uau!