A beleza da Praia do Espelho
Tenho andado muito por este Brasil.
Só não estive em Roraima e em Macapá.
Conheço bastante bem o litoral brasileiro. Todo ano, passo alguns dias de férias no nordeste. Sem contar as viagens de meio ano que permitem ampliar o horizonte.
Faço a minha própria lista de mais belas praias.
É uma tarefa difícil, pois o Brasil é rico nessa matéria, tendo de tudo um pouco para mostrar.
Gosto de praia com mar azul.
Adoro praia com árvores.
A lógica de praia é esquisita: dado que está muito quente, vamos todos para o sol a pino.
Amo praia com vilarejo de nativos por perto.
Gosto dessa coisa de certa autenticidade.
Mesmo quando o turismo já chegou e adulterou quase tudo. O incrível é que certos lugares, cercados de turismo por todos os lados, conservam certa virgindade.
Conheço praticamente todas as mais belas e famosas praias brasileiras em todos os nossos estados litorâneos. Minhas três praias prediletas eram: Praia dos Carneiros (Pernambuco), Praia dos Morros (Alagoas) e São Miguel dos Milagres (Alagoas). Já adorei Jericoacora (Ceará), Pipa (Rio Grande do Norte) e Itacaré (Bahia). Agora, descobri uma nova paixão: a Praia dos Espelhos, perto de Trancoso (Bahia). Tem tudo que eu adoro: curvas, árvores (amendoeiras, coqueiros, mangueiras), enseadas, mar entre azul e verde, enormes piscinas, falésias e vilarejos. Fica dentro de uma reserva dos Pataxós.
O prefeito decidiu cobrar ingresso: R$ 15. Os índios bloquearam a estrada e o obrigaram a baixar o preço. São R$ 7 (seis para o município e um para os índios). Na entrada, um agente municipal faz o registro e um índio pega o dinheiro. Um controla o outro. Os índios não confiavam na prefeitura. Preferem receber a parte deles na mesma hora. Ficam de olho. Sabem que vivem no Brasil.
A Ponta do Espelho é tudo de bom. O vilarejo de Trancoso, com seu quadrado cercado de casas típicas e de restaurantes charmosos, continua maravilhoso. Uma viagem no tempo sem perder o melhor da modernidade. Os ricos do Brasil estão logo ali. FHC tem casa na região. O Club Med ocupa, como sempre, uma bela área. O condomínio Terravista tem asfalto próprio até a estrada para o aeroporto de Porto Seguro, campo de golfe, casas estupendas (diz-se que a taxa de condomínio é de R$ 500 mil por ano). O povo fala demais. Mas, por que não?
Cariocas e baianos sabem fazer festas como poucos. O carnaval anda terminando por aqui pelas 10 horas da manhã. Hordas de jovens avançam pelas ruas e estradas saciados de festas com o sol alto tentando voltar para suas pousadas. É um belo espetáculo. Será que um dia Porto Alegre vai ter um carnaval de blocos durante quatro dias, ao menos, fazendo a cidade inteira sacudir-se?
Teríamos de nascer de novo.
Ou impedir todo mundo de se mandar para o litoral.