Encontrei a Cobra Vadia numa esquina da Padre Chagas.
Falamos dos velhos tempos em Palomas.
Ele garantiu que vai anular o voto. Ficou puta com Lévy Fidélix e impressionada com a violência dos debates.
Sem mais nem menos, contou-me uma história:
– Lembra do Seco?
– Claro. Que houve com ele?
– Morreu.
– De quê?
– Assassinado.
– Por quê?
– Andou dando com a língua nos dentes.
– Que coisa!
– Nunca fale mal de trapaceiros. Eles me podem se ofender.
– E daí?
– Daí que trapaceiros ofendidos são perigosos. É gente muito sensível. Reagem.
– Dá outro exemplo – pedi.
– Em Palomas, na época da república socialista e coronelista, na metade dos anos sessenta, todo ano o presidente da associação rural e dono do campo de exposições recebia algum prêmio da sua associação ou da federação nacional de produtores. No mínimo, menção honrosa. Pura coincidência. Antes e depois do seu mandato, nada. A direção fazia a regra dos julgamentos de tudo. Em certas disputas, não publicava tudo no regulamento, aplicava a regra a seu bel prazer, anulava artigos, introduzia outros, produzia os indicadores, que flexibilizava se necessário, julgava os recursos e ainda se aplaudia pelo denodo. O Candoca – lembra do Candoca, o ingênuo? – denunciou e se ferrou.
– O que aconteceu com ele, não me lembro?
– Perdeu o saco.
– O saco?
– Foi capado.
– Capado.
– Sim, capado. Amanheceu com os escrotos na boca.