Juremir Machado da Silva

A Cobra Vadia e os prêmios em Palomas

Encontrei a Cobra Vadia numa esquina da Padre Chagas.

Falamos dos velhos tempos em Palomas.

Ele garantiu que vai anular o voto. Ficou puta com Lévy Fidélix e impressionada com a violência dos debates.

Sem mais nem menos, contou-me uma história:

– Lembra do Seco?

– Claro. Que houve com ele?

– Morreu.

– De quê?

– Assassinado.

– Por quê?

– Andou dando com a língua nos dentes.

– Que coisa!

– Nunca fale mal de trapaceiros. Eles me podem se ofender.

– E daí?

– Daí que trapaceiros ofendidos são perigosos. É gente muito sensível. Reagem.

– Dá outro exemplo – pedi.

– Em Palomas, na época da república socialista e coronelista, na metade dos anos sessenta, todo ano o presidente da associação rural e dono do campo de exposições recebia algum prêmio da sua associação ou da federação nacional de produtores. No mínimo, menção honrosa.  Pura coincidência. Antes e depois do seu mandato, nada. A direção fazia a regra dos julgamentos de tudo. Em certas disputas, não publicava tudo no regulamento, aplicava a regra a seu bel prazer, anulava artigos, introduzia outros, produzia os indicadores, que flexibilizava se necessário, julgava os recursos e ainda se aplaudia pelo denodo. O Candoca – lembra do Candoca, o ingênuo? – denunciou e se ferrou.

– O que aconteceu com ele, não me lembro?

– Perdeu o saco.

– O saco?

– Foi capado.

– Capado.

– Sim, capado. Amanheceu com os escrotos na boca.