Juremir Machado da Silva

A consciência negra de Wole Soyinka

Wole Soyinka é Nobel da literatura.

O primeiro africano a ter chegado lá.

Ele está em Porto Alegre a convite da Bienal do Mercosul.

Ideia do Dr. Gilberto Schwartzmann.

Ontem, no Sheraton, eu o entrevistei para o Caderno de Sábado com apoio da equipe da Bienal (Caio, que traduziu, Carol e Oto).

Hoje, pela manhã, Soyinka encheu o teatro São Pedro. A comunidade negra estava lá. Autoridades também. Nominadas, apenas um nome despertou aplausos entusiásticos: Olívio Dutra. Elisa Nascimento, viúva do grande Abdias Nascimento, fez uma palestra introdutória. Informal, Soyinka louvou o ecumenismo, a tolerância e a diversidade. E cobrou do Brasil a falta de apoio em outras ocasiões para projetos de reconexão cultural com a África.

Glau Barros cantou uma música nigeriana para o escritor na fila de autógrafos.

No momento de se comemorar o dia da Consciência Negra, no décimo país mais desigual do mundo, onde negros ganhos metade dos rendimentos dos brancos, Soyinka falou de escravidão, de herança cultural, de ecumenismo de compromisso com o futuro. Um bela lição dominical.

Tudo terminou num coquetel no memorial do teatro onde eu, um intelectual negro e Jorge Gerdau conversamos amistosamente sobre reforma política e tributária no Brasil.

Só faltou a fotografia.