Juremir Machado da Silva

A cubanização dos Estados Unidos por Obama

Os Estados Unidos capitularam.

Depois de 53 anos de teimosia, reataram relações diplomáticas com Cuba. É o segundo fim da Guerra Fria. O primeiro foi com a queda do muro de Berlim. Obama é o cara. Mas o Papa Francisco também. E Raúl Castro. O Brasil construiu um porto para Cuba. Os americanos vão construir uma nova Cuba para a Ilha. É só uma questão de negócios. Foi deixar um argentino falar que a resistência ao comunismo cubano desabou. A cubanização dos Estados Unidos está em curso.

Ou seria mais um avanço do bolivarianismo?

Se Obama tivesse consultado o Tea Party brasileiro liderado por Lobão, que se manifesta quase toda semana em São Paulo contra o comunismo, não teria dado esse grande passo. Enquanto Obama estende a mão aos cubanos, a direita brasileira preferiria isolar ainda mais a Ilha. Enquanto o ex-tupamaro Pepe Mujica rompia com a política falida da repressão às drogas, liberando a maconha, o Tea Party brasileiro aprovava uma legislação mais repressiva e retrógrada. Estou preocupado com os Estados Unidos. Se deixarem Obama continuar agindo assim, sem limites, vai acabar fazendo História. Ninguém vai pedir o seu impeachment?

Será que isso terá de ser feito na avenida Paulista por meia dúzia de gatos pingados?

Não, pingados, não, que isso é coisa de esquerdista rastaquera. Meia dúzia de gatos “uísquados”.

Alguns republicanos vão infestar o senado dos Estados Unidos com discursos contra Obama. É uma turma que fala grosso e pensa pequeno, mas não rasga dinheiro. Estou com Obama. Isso deve bastar. Quando ele se candidatou pela primeira vez, usei uma camiseta com a sua propaganda. Foi a única vez na vinda que servi de outdoor para político. Não me arrependo. É verdade que Obama prometeu acabar com Guantánamo e não o fez. Não existe político sem promessa não cumprida. O máximo que ele conseguiu nesse quesito foi com ajuda do sempre intrépido Mujica. É isso aí: Obama, Mujica e o Papa Francisco são os homens do ano. Raúl Castro ainda precisa comer um pouco mais de feijão, passar por uma eleição de verdade e soltar todos os seus presos políticos para jogar no mesmo time. Não parece o seu jogo. Com ele, com os Castro, o esquema é retranca.

Enquanto Obama reata relações diplomáticas com Cuba e pavimenta o seu lugar na grande História, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) brasileiro arranjou, mais uma vez, lugar na pequena história livrando a cara de Paulo Maluf, declarado ficha limpa. O ato de Maluf não teria sido doloso (intencional), mas culposo. Maluf deve essa façanha jurídica aos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que, aproveitando a viagem de um colega de tribunal, numa manobra rápida viraram o jogo em favor do “idôneo” político paulista. Quando Paulo Maluf é ficha limpa, Papai Noel sai do armário e assume ser uma ficção. Desafio o Papa Francisco a convencer o TSE de que Maluf é ficha suja. Essa missão não é para o Papa. Talvez seja para Deus.

Eu já sabia: Obama é comunista!

Nessas reviravoltas da história, o deputado gaúcho Marco Maia corrigiu seu relatório da CPI da Petrobras e pediu o indiciamento de 52 envolvidos. Só esqueceu de arrolar algum político na sua lista. Deve ser difícil encontrar algum. Os caras do momento não são daqui.