Em tempos de Oscar, a gente vê filmes oscarizáveis.
Sábado à noite no cinema com "A dama de ferro".
Interessava mais talvez o desempenho de Meryl Streep que o de Margaret Thatcher.
O filme tem direção de Phyllida Lloyd.
Muito prazer!
Conta mais o triste fim da Dama de Ferro que os seus anos de apogeu.
Do seu governo, faz um resumão com grandes saltos e lacunas.
Não a coloca jamais em contato com a rainha da Inglaterra.
A tradução faz a britânica dizer Malvinas em lugar de Falklands.
Meryl vai bem e deve ganhar a estatueta.
Margaret é idealizada, mulher moderna, batalhada, entre a família e o interesse público.
A mulher de família modesta que vence contra tudo e todos: machismo, esquerdismo, estatitismo, preconceitos diversos.
Sai do nada e retorna ao nada.
Depois do poder, a velhice, a solidão e a doença.
Da periferia vieste, à periferia voltarás.
Uma boa sopa de legumes para um dia frio.
Um pouco grosseiro para uma "soirée" de final de semana.
Mas é sempre melhor do que o "cheiro do ralo" ou "Os normais 9".
Uma ode (mal) dissimulada ao neoliberalismo.
E ao trabalho dos marqueteiros, que transformaram a esganiçada Margaret numa líder posuda que mandou dar uma surra nos milicos ditadores fascistas da Argentina e nunca se arrependeu disso.
A transformação do cabelo da Dama de Ferro faz pensar na evolução do penteado da nossa Dilma.
É pela cabeça que se produzem os grandes condutores de um país.
Por aqui, o Oscar preocupa mais do que o Óscar.
E é melhor mesmo.