Juremir Machado da Silva

A Feira do Livro e o agronegócio

A Feira do Livro e o agronegócio

O temporal do sábado à noite acabou com a festa dos livreiros e editores instalados no setor da Rua da Praia da Feira do Livro de Porto Alegre. O pessoal não vai faturar nos últimos dois dias do evento. Um prejuízo danado. Quem vai pagar a conta? Como o mundo do livro vive no capitalismo real, cada um arcará com suas perdas. Livro é mercado. Não tem mole. Essa é a diferença entre cultura e agricultura no Brasil. Se fosse o agronegócio o prejudicado, depois de um temporal desses, o governo pagaria a conta com empréstimos a juros especiais ou mesmo a fundo perdido, renegociações intermináveis, muito choro, pouca  vela e uma grande teta estatal. No mercado livreiro é preciso correr riscos. Quem aposta, pode perder. Muitas vezes, o livro encalha. Ninguém socorre. O editor precisa vender por um preço mínimo. Mas esse mínimo não é garantido pelo governo. O Estado não compra livro encalhado. É verdade que tem muito editor vendendo para o Estado. São os famosos livros para as escolas. Normalmente quem emplaca aí são os grandes. Exatamente como no agronegócio. As pequenas editoras praticam agricultura familiar. Bancam o essencial com pouco apoio. O temporal da Feira do Livro de Porto Alegre poderia servir de exemplo de capitalismo para o agronegócio gaúcho. Não tem essa de "estamos pagando para produzir". Quando o sujeito não está satisfeito ou não fatura o suficiente, fecha a editora. O Estado não compra o que sobrou para reforma editorial alguma. Os fazendeiros que se acham no prejuízo também podem vender suas terras e mudar de negócio. O Incra paga bem. Às vezes, até acima do preço de mercado. De fato, no Brasil, a agricultura é melhor negócio do que a cultura. Principalmente quando chove muito ou muito pouco.