Juremir Machado da Silva

A greve do magistério e o cobertor curto

A greve do magistério e a corrupção são bons temas para quem quer aplicar o golpe do cobertor curto.

Se o CPERS faz greve, é radical e irresponsável.

Se não faz, é pelego.

Se o governo paga o piso, quer quebrar o Estado.

Se não paga, trai suas promessas de campanha.

A corrupção da direita raramente chama a atenção dos críticos da corrupção da esquerda.

O contrário também é verdadeiro.

O que está em jogo é ódio de parte de alguns ao PT.

O argumento é simples: O PT criticava todo mundo, julgava todo mundo.

Não fosse isso, estaria tudo bem.

Todos iguais.

O problema não é a corrupção, mas o fato de que o PT, em certo momento, bancou o superético e encheu o saco dos outros.

O problema, por outro lado, não é a corrupção, mas o último argumento possível para se vingar de um PT tornado, enfim, igual a todos.

O problema é o bolsa-família, o ProUni, os altos índices de aprovação do Lula, a faxina da Dilma, a estabilidade econômica, etc.

Falo assim só para provocar os que me acusam de ser petista.

Os petistas de carteirinha me acusam de ser de direita.

Não tenho partido.

Nenhum merece a minha adesão.

Sou anarquista.

Poeticamente libertário.

Rotineiramente analista de discursos e conteúdos.

Não tenho partido.

Mas poderia ser de qualquer um.

Não é crime pertencer a qualquer um dos partidos brasileiros.

Nem ao PT.

Como diz o outro, quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.

Pode o Dem, o PP ou o PSDB julgar o PT?

O problema do PT é ter dito que nunca faria o que fez.

A questão importante para o observador franco-atirador não é que um diz, mas o que todos fazem.

Bem, parece que o PSOL não pecou.

Eu poderia ser do PSOL.

Mas não sou marxista.

Aquele que odeia sempre quer aplicar o golpe do cobertor curto.

Se vê os pés, reclama da nudez da cabeça.

Se vê a cabeça, reclama da nudez dos pés.

Só quer um pretexto para exalar sua ideologia do ressentimento.

Normalmente como acusação ao ideologismo dos outros.

Ninguém mais ideológico do que aqueles que passam o tempo criticando as posturas ideológicas dos outros.

A direita brasileira inventou que não tem ideologia.

Só a esquerda seria ideológica.

Inventou também que qualquer concepção de esqueria seria atrasada.

A direita nem existira mais.

Só existiria a esquerda como um vestígio, um anacronismo.

Pura retórica ideológica.

Dito tudo isso, pois amanheci de bom humor, é preciso afirmar algo complexamente antagônico e complementar:

Os professores têm razão em fazer greve pelo piso.

Querem o cumprimento da lei.

Cobraram isso da governadora Yeda Crusius.

Cobram o mesmo do governador Tarso Genro.

O governo fala certamente a verdade quando diz que não pode pagar agora.

Com algum esforço, pode-se chegar ao entendimento.

Por exemplo, o governo marcar um data para o pagamento e encontrar meios para fazer isso.

Com jeito, sempre tem um jeito.

Bastaria, por exemplo, dar menos isenções fiscais a grandes empresas.

Fica uma pergunta: por que só quatro Estados não conseguem pagar o piso?