Juremir Machado da Silva

A máquina e o ser humano na megassena

Tomei conhecimento de uma nova versão do caso da megassena que descrevi aqui há dois dias.

É uma verdadeira roleta gaúcha.

- Só errei o 36. Acertei os outros cinco números.

- Só acertei 0 36. Errei os outros cinco números.

- Juntos, temos a megassena. Que droga!

- Que solidão!

- Tudo culpa da  maldita máquina, a cabeça dura.

- Teimosinha.

- Essa imbecil aí.

- Mas ela te deu cinco números certos.

- Mas não escolheu logo o 36, o meu número da sorte.

- Que azar!

- As máquinas continuam e sempre serão burras.

- Mas tu nunca acertaste tantos número sozinho!

- Mas não erraria o 36, meu ano de nascimento invertido.

- A máquina joga no escuro, ora.

- Aí está, é o que eu penso, a máquina nunca sera inteligente como o ser humano, jamais terá a clarividência de perceber o significado de uma data de nascimento nem terá a criatividade de inverter um número. Uma máquina nunca jogará às claras. É por isso que somos superiores.

- Duvido que elas se preocupem com isso.

- Azar delas. Máquinas não têm livre-arbítrio. Na verdade, uma máquina não escolhe o que escolhe, apenas faz o que deve fazer.

- Parece um ser humano com o que destino lhe reserva.

- Um ser humano escolhe.

- Mesmo?

- Eu sempre escolho o 36.