Primeiro o homem luta pela sobrevivência.
Alguns passam a vida nisso.
Aqueles que superam essa barreira passam a lutar por reconhecimento, prestígio, poder e prazer.
Querem sentir-se ocupados e importantes.
Deve ser da natureza humana essa vontade de reconhecimento.
A política, por exemplo, é um jogo que permite, ao mesmo tempo, sentir-se útil, importante, reconhecido e ocupado.
Sócrates foi um grande jogador.
Fez o praticamente impossível: formou-se em medicina na condição de atleta.
Brilhou nos campos, politizou o futebol, ajudou a inventar a democracia corintiana, quebrou um paradigma: era um jogador com cérebro, ideias, posturas políticas e muita personalidade.
Terminada a carreira de jogador não conseguiu mais sentir-se ocupado, útil, importante e prestigiado.
Não deu certo como treinador.
Não deu certo como médico.
A sobrevivência estava garantida, pé-de-meia feito.
Desamparado, Sócrates bebeu a cicuta dos tempos atuais: álcool. Cerveja.
Não me consta que tenha tentado a política.
Teria sido um excelente senador.
O homem é um ser lúdico, uma eterna criança.
Se não tem um brinquedo, um jogo que o faça sentir-se grande, definha.
O inteligente Sócrates não conseguiu encontrar esse novo jogo depois do futebol.
Uma pena!