Juremir Machado da Silva

A morte do rock: nada como uma bela resposta

Servidores federais paralisam atividades por 24 hroras nesta quinta
Servidores federais paralisam atividades por 24 hroras nesta quinta Foto : Carla Ruas/CP Memória
EVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO

Caro Juremir:

Li teu artigo sobre a morte do Rock. Sim, com letra maiúscula. Afinal, Rock não é um substantivo somente, é um verbo. De fato, o Rock foi uma revolução. Os problemas surgem de todos os lados, assim como as decisões erradas. Há a parte radical do processo que confunde rebeldia com boa causa. Disseste que é difícil alguém igualar-se a Hendrix, Janis e Jim Morrison. E isso é claro, pois esses seres são elementos únicos na música. Talvez seja por isso que Deus os leva. A revolução dos anos 60/70 se completou. A questão é que, de alguma forma, outros gêneros começaram a tomar conta, ou as pessoas simplesmente compram o que é hit, deixando para trás boas novas bandas de Rock como Foo Fighters.

O Rock hoje se apresenta em outros gêneros similares como o grunge, o punk rock, heavy metal e até mesmo o folk. É fato de que o “o Rock viverá para sempre”. Por isso, acredito que a palavra que procuras e que lhe proponho é “adormecido”. O Rock está adormecido. Caso contrário, não haveria jovens querendo montar bandas e tendo interesse nessas novas bandas. Ele está hibernando. Meu irmão tem um grupo de amigos que nos faz ver que logo o tal Rock acordará. Eles se reúnem em um café da cidade e ficam horas conversando e apresentando suas filosofias sobre assuntos diversos e relativamente sérios. Eles são os pioneiros deste movimento.

Se o Rock estivesse realmente morto, não existiriam hoje os estilos retro, vintage. Não existiriam rankings em revistas como a própria Rolling Stone, com parte dos colocados sendo de bandas atuais, nem mesmo entrevistas com essas bandas. Se estivesse morto, Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e Jason Bonham (exato, o próprio filho de Bonzo) não se reuniriam para o Celebration Day. E os Foo Fighters não fariam um show em Wembley para 85 mil pessoas e chamariam Jones e Page se o Rock não fosse bom ou vivo o bastante. Tenho também por experiência própria, brigas em minha casa por vinis e CD’s que serão herdados e tidos como tesouros inovadores.

Atualmente, estamos procurando um novo herói. A indústria musical é como um faroeste: há brigas, duelos, movimentos de risco, e todos querem o seu espaço. Ser roqueiro não é se drogar, beber e então fazer shows. Há uma grande diferença e o tal duelo entre o Rock como estilo e o Rock da “viagem”. Perdeu-se a ideologia, pois surgiram outros tipos de Rock. Led Zeppelin diz: “It’s been a long time since I rock and roll”. Para não fazer tanto tempo, o belo adormecido precisa acordar e fazer o que faz de melhor: kick some ass!

Ana Carolina Barboza Lopes

17 anos

Futura estudante de Jornalismo