Juremir Machado da Silva

A pena de morte como estatização da covardia

Mais um brasileiro será executado na Indonésia por tráfico de drogas.

A pena de morte é um ato de barbárie legalizado.

Dizer que ele sabia do perigo que corria é um simplismo vingativo.

É considerado reacionário responsabilizar consumidores.

Mas nunca é demais perguntar: qual o papel dos que compram drogas na Indonésia na execução dos seus fornecedores?

Deviriam ser todos condenados?

Não.

Trata-se de um crime artificial.

Pode ser que um dia deixe de ser crime no mundo inteiro.

Quem resgatará as vidas dizimadas pelo entendimento de uma época?

O álcool mata mais.

Mas é a droga que as sociedades ocidentais se permitem.

Sem ela, o Ocidente explodiria. É a sua válvula de escape.

Os muçulmanos são mais coerentes: proíbem também o seu consumo.

Não funciona.

Ao menos, não precisam explicar a proibição de certos produtos e a permissão de consumo de outro.

As execuções na Indonésia satisfazem os instintos mais baixos e violentos dos ocidentais, inclusive brasileiros, que se alimentam de ressentimento, culto à repressão e hipocrisia. Os traficantes matam, dizem, como justificativa.

O Estado não pode matar homens impossibilitados de qualquer reação.

É covardia.

A pena de morte é a estatização da covardia e da vingança.

Curiosamente são os defensores do Estado mínimo que mais a admiram.