Juremir Machado da Silva

A pizza

A pizza

Quem não gosta de pizza? Quem já não sonhou com uma boa pizza? Quem já não pediu uma pizza? Quem já não pensou em matar ou morrer por uma pizza? Conheço um cara que, na noite de pizza, saiu atrás de uma pizza. Faz sentido. É preciso saciar os desejos. A pizza, mesmo sendo italiana, é universal. No fundo, pizza não tem cheiro, mesmo cheirando bem ou mal, nem cor. Muito menos ideologia. Como dizia um sábio renascentista, pizza é pizza. E estamos conversados. Todo mundo já amou ou odiou uma pizza. A pizza não faz distinção de classe social. Atinge a todos. Tem pizza de esquerda, pizza de direita, pizza do legislativo, pizza do executivo, pizza do judiciário, pizza jornalística, pizza de banana. Eu prefiro calabresa e portuguesa. Ou seja, as clássicas.
Minha cunhada chegou na Itália, comeu pizza e sentenciou: “Pizza boa mesmo só em Porto Alegre”. Questão de gosto, de tempero e de ingredientes. Somos bons em pizza. Pagamos pizza com pizza. Entre nós, todos os ditados são possíveis: quem com pizza fere com pizza será ferido. Com pizza se faz e com pizza se paga. Cedo ou tarde tudo termina em pizza. Gre-Nal é Gre-Nal, pizza é pizza. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e pizza é pizza. Por aí vai. Sempre. A wikipédia é categórica: “A história da pizza começou há seis mil anos, com os egípcios. Acredita-se que eles foram os primeiros a misturar farinha com água. Outros afirmam que os pioneiros são os gregos, que faziam massas a base de farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico e as assavam em tijolos quentes. A novidade foi parar na Etrúria, na Itália”. E no Brasil. Entre nós, ganhou novos contornos, tamanhos, maneiras de fazer, de assar e de misturar os elemento. A pizza faz parte dos nossos costumes. Todos.
O interessante da pizza em nossa cultura é o inesperado: quando menos se espera, menos mesmo, tem pizza. O curioso é que se comemora pizza com pizza. Acho que é isso que alguns pizzaiolos chamam de torre de pizza. Segundo o UOl, "a maior pizza do mundo foi montada e devorada no elevado Costa e Silva, o Minhocão, na região central de São Paulo, em homenagem ao 1º de Maio, aos 450 anos da capital e à memória do piloto Ayrton Senna (...) Com 450 metros de comprimento, a pizza começou a ser preparada durante a madrugada e foi chamada pelos organizadores de a "maior pizza do mundo". Pizza é assim: estimula a mania de grandeza e a competição. É muito comum a disputa entre comedores de pizza. Teve um cara que devorou 54 fatias em 36 minutos. Fantástico!
E a pizza mais cara do mundo? Quanto pode ter custado? Procurei dados. Desta vez, o IBGE não me socorreu. Nem o IBOPE. Nada encontrei de seguro. Nada de provado. Só estimativas, especulações e molho para todo lado. Tem gente que carrega na pimenta. Outros melam tudo com ketchup. Algo me diz, assim, sem qualquer investigação ou fonte privilegiada, pura intuição, coisa meio mística, que a pizza mais cara do mundo custará algo em torno de, vejamos, R$ 44 milhões. Enfim, é só um palpite. Afinal, é um número que tirei da cartola.