Juremir Machado da Silva

A posição dos leitores (1)

A posição dos leitores (1)


Bravo Juremir! Dale nesses que pensam que a Ufrgs é só para "eles"!
Tem gente que nunca entendeu, e nunca vai entender, porque não quer entender, o que é ser pobre neste país.
Não entendem que são uns privilegiados. Odeio ouvir de quem quer que seus filhos passem na Ufrgs pra que, "pobres coitados", parem de pagar as mensalidades escolares. Ou quando são contra reserva de vagas em concursos público. É só olhar à volta e ver quem faz a faxina, quem é o porteiro, quem é o servente. Odeio discursos contra as minorias. Odeio mais ainda quando são meus próprios amigos que os fazem!
Se no Brasil falta educação, quem tem não tem consciência. Mas esta é outra questão.
Abraço,
Rosi


Amigo Juremir
Não é a primeira vez lhe mando uma mensagem. Se todas as vezes que
concordo ou discordo de suas opiniões eu lhe escrevesse, isso se
tornaria um hábito diário. Certamente eu escreveria 99 vezes para
aplaudi-lo (estaria aplaudindo a mim mesma) e 1 vez para lhe dizer que
não concordo, não aceito e sofro com determinadas opiniões mas,
continuo lendo-as diariamente.
Hoje estou, particularmente, preocupada: o Inter deu vexame, o Governo
está empurrando guela abaixo o que eles chamam de Piso para o
Magistério (isso sem falar do vergonhoso índice de 6% de reajuste) e,
ainda, a sua veemente defesa das cotas raciais . Aproveito para dizer
que, apesar de ter um partido que me dá "... a liberdade que não tem
um solitário" como disse Neruda, não concordo com a defesa que meu
Partido faz das cotas.
Há quatro ou cinco anos escrevi para o Senador Paim para falar sobre
as cotas e contei, brevemente, a minha história como justificativa (ao
meu ver mais do que justa) para ser contra o injusto sistema das
cotas. O Senador me respondeu dizendo-se emocionado com a minha
mensagem. Uma linda resposta que não conseguiu me convencer. Pena que
eu acabei deletando por erro a resposta.
Por que lhe envio hoje está mensagem? Porque sou contra as cotas
apesar de estar vinculada a um partido supostamente ainda de esquerda,
que as defende; porque sou professora da rede estadual de ensino e sei
exatamente o que acontece e como acontece nos primeiros anos
escolares o trânsito das crianças pobres (e negras); porque tenho uma
história familiar de pobreza e analfabetismo; porque não tive cota ou
bolsa alguma que me permitisse não precisar escolher entre comer ou
pagar a faculdade e nem por isso eu desisti.
Sou a favor de cotas para o acesso e a garantia de permanência de
qualquer criança ou adolescente na escola, independente de fatores
raciais. Cotas que garantam trabalho aos responsáveis, condições
dignas de vestir (pode ser a volta do uniforme que além do mais
garante maior segurança dentro das escolas), turno integral com
atividades variadas e, naturalmente, refeições equilibradas.
Por que as cotas não funcionaram nos EUA?
Insisto. Não é o fator racial, mas a pobreza que impede os negros
(deveria ser politicamente correta e usar o termo afrodescendentes) de
ascender ao nível de ensino superior.
Trabalhei durante vários anos com as chamadas "turmas difíceis". DIzem
que levo jeito. A maioria das minhas crianças era muito pobre (e,
naturalmente, a maioria negros). Eles desistiam da escola (e deles
mesmos) em altos índices. Por quê? Porque viviam num ambiente de
miséria, de insegurança, de fome, ou, em alguns casos, crianças
institucionalizadas sem referências familiares.
E isso tem solução: cotas de trabalho para os responsáveis e real
obrigatoriedade da vida escolar para as crianças, com todas as
garantias para permanecerem estudando.
Desculpe se sou inconveniente. Pena que eu não tenha a oportunidade de
conversar com o senhor. Acredito que a sua sabedoria me ajudaria a ter
mais claro algumas questões.
Não esqueça de nós "pobres professores estaduais". Sua voz é ouvida
até pelos deputados.
Um grande abraço
Heloisa


Juremir
A mídia está veiculando que o presidente Chaves decretou um feriado de cinco dias para economizar energia. Esclareça-se que o mesmo, se for na semana santa, é normal em vários, se não em todos, países hispano-americanos. Ou seja, acontece todos os anos.
Atenciosamente
Angelo Fortini

Excelente a cronica sobre a mulher e o carnaval. Parabéns.
J.V. Marino


Boa Tarde!
Como sou ouvinte assíduo do programa do Luis Carlos Rech, alguns meses atrás ouvi o senhor fazer o seguinte comentário: "O Grêmio é um clube barraqueiro e, na verdade o nome correto não é Batalha dos Aflitos e sim "Barraco dos Aflitos."
Qual a explicação para aquele barraco do Inter contra o Coringão??? E o barraco no intervalo do jogo de ontem???
Tenho absoluta certeza de que não é o Grêmio o clube barraqueiro, e sim o clube do Beira Rio. Não saber perder é normal no Inter, pois para sua torcida, os resultados são sempre o seguinte: O Inter ganhou, o Inter empatou ou foi roubado!!!
Um forte abraço e obrigado pela atenção.
Marcelo Ferrary de Savi - Santana do Livramento.


Juremir, Bom Dia!
Não sei se leste o mail que escrevi ontem (abaixo), mas tua coluna publicada no Correio do Povo hoje parece-me uma resposta pertinente aos questionamentos que levantei. Já perdi até a conta de quantas vezes li teu texto.
Na verdade, sinto-me envergonhado por pregar igualdade de acesso aos que não têm igualdade de condição. Afinal, sou branco, tive educação "nobre" e, nessas condições, fica fácil falar sobre algo que nunca senti na pele... literalmente.
Aparentemente, nossa discussão versa sobre o espaço público reservado às classes (independente da cor?). Com certeza, ter na elite profissional atuante e influente pessoas oriundas dos nichos mais oprimidos é um grande passo. Principalmente se forem negros.
Na Teoria, todos concordam!
Trabalhei por dois anos como auxiliar em cirurgias cardíacas nos mais renomados hospitais da capital (Moinhos, Mãe de Deus, Clínicas, Santa Casa, etc.). Como no colégio em que estudei, raras foram as vezes em que encontrei um negro. Seja médico, seja enfermeira ou, até mesmo, paciente!
Minha idéia é a de que tenta-se resolver um problema social de maneira errada, por imposição!
Como mencionado ainda hoje, "Maria abandonou o curso por se sentir humilhada". No meu entender, a criticada meritocracia é a melhor maneira de fazer com que a preconceituosa elite "engula" o lugar que é do povo por direito. Não sei se o que prego é verdade, mas sinto que a solução proposta onera os "heróis da equalização" com humilhações muito mais severas.
Com certeza, ter na elite profissional atuante e influente pessoas oriundas das classes mais oprimidas é um grande passo, mas fundamental é ter na formação dessa elite a concientização de que vivemos num lugar heterogêneo, e rico (bonito) por conta disso.
Não quero esperar até a faculdade para ter esse equilíbrio, quero agora! No maternal, na primeira série, no futebol jogado durante o recreio, com a minha primeira namorada... Enfim, enquanto estiver me tornando homem!
Grande Abraço,
Gustavo Rosa

Caro Juremir,
Parabéns de novo. Gostei da coluna e concordo com ela!!!!
Abaixo a meritocracia cínica.
Att
Eng. Agr. MSc. Marcelo Porto Nicola
Estação Experimental Agronômica - EEA
Faculdade de Agronomia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS