Juremir Machado da Silva

A posição dos leitores (2)

A posição dos leitores (2)

Meu caro Juremir,
acompanhamos sempre, meu marido e eu, a tua coluna no Correio do Povo. Os textos que vens escrevendo sobre a questão das cotas me sensibilizam de forma particular. Porque sou professora, doutora em Letras (Teoria da Literatura - PUCRS), professora de uma instituição comunitária (UPF)... e branca. Digo isso, porque eu pensava que sabia o que era enfrentar dificuldades para obter um diploma até conhecer o cotidiano de alguns alunos. Anos atrás, ainda no início da aula, notei que uma aluna negra (por sinal, extremamente estudiosa e entusiasmada com o curso de Letras e com a literatura) parecia não estar passando muito bem. Quando perguntei, ela me disse que não era nada: era apenas uma tontura, pois, durante o dia, trabalhava como empregada doméstica numa empresa e usava produtos de limpeza muito fortes; no final da tarde, percorria alguns quilômetros, engolindo poeira por quase duas horas dentro de um ônibus, para chegar até a Universidade e nem sempre tinha tempo - e, principalmente, dinheiro - para comer alguma coisa antes de entrar na sala de aula. Mas ela me disse mais: "não é nada, professora, eu nunca desanimo, pois sei que não nasci para isso; essa é uma situação provisória na minha vida". Ela hoje é professora; concluiu o curso de Letras com excelente desempenho acadêmico, porém... ao me lembrar de outras histórias que, como essa, me fizeram e continuam me fazendo chorar, não posso deixar de concordar contigo: ela "venceu", mas não podia derrubar sozinha as estatísticas.
Por tudo isso, é muito importante que utilizes o espaço que tens no jornal para falar desse tema. O cotidiano, ou a realidade, como bem disseste, ainda é um "argumento" desconhecido ou ignorado de forma proposital. Seleção natural? Fico me perguntando quantos estudantes brancos sobreviveriam à rotina daquela estudante.
Um grande abraço.
Márcia Helena Saldanha Barbosa


Pois então aumenta o número dos que entram na UFRGS e que têm renda entre 1 e 5 S.M.!
Há milhares de professoras, solteiras e emancipadas, na rede pública estadual, quase todas !, que não chegam nem perto desse teto, mesmo com mais 6% que a Yeda quer dar.
Bem que poderiam tentar engrossar as estatísticas prestando vestibular para outra profissão.
Em passando, garanto que já no primeiro meio-dia de aula estariam almoçando no restaurante universitário.
Pedro Bon


Agora o sr é um colunista por inteiro.Toda a semana.Falava para minha esposa que eu iria escrever ao diretor do CP para reparar esta injustiça.Como aqueles trocadilhos infames foi "transmimento de pensação" esta reparação.O Elio Gaspari escreve bem,porém acho ele cagão (desculpe o termo chulo)pois não publica seu e-mail para o contraponto do que escreve e não interage com seus leitores como o sr.
Próximo passo, página inteira para o sr. nos domingos.
um grande abraço e vida longa à coluna e ao sr.
Valdir Ventura Slongo

Caro Juremir,
Parabéns pela série de colunas a respeito das cotas e sobre o sistema de acesso às IFES.
A de sexta 19/03 "Cotas pra Gaúcho" foi mto boa. Minha mãe é conservadora e preserva uns ’preconceitos’ inexplicáveis ( ao menos para o meu pto de vista). Sempre falava em "meritocracia" quando discutíamos cotas.
Enviei tua coluna pra ela. Vou esperar a resposta.
As duas últimas sobre o acesso à UFRGS também estão muito interessantes.
Att
--
Eng. Agr. MSc. Marcelo Porto Nicola
Estação Experimental Agronômica - EEA
Faculdade de Agronomia
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Bom dia, Juremir.
Tenho acompanhado teus textos sobre a questão do ensino superior, das cotas etc, e gostaria que, se fosse possível, fizesses algum comentário sobre os resultados do Enem, que revelaram dados preocupantes sobre a educação em nosso Estado. Parece-me que na Escola de Medicina - UFCSPA - mais da metade das vagas foram preenchidas por estudantes de fora do Estado. Há quem queira tapar o sol com a peneira, minimizando a importância desse dado para uma reflexão sobre a qualidade do nosso ensino. Nos dados gerais, conseguimos exportar apenas 146 alunos, mas recebemos 1.118.
Muito obrigada.
Mirna Schneider - professora aposentada

Juremir: continuo acompanhando o debate sobre a questão das vagas na
UFRGS. Não vou me atrever a aprofundar a discussão porque não conheço
este trabalho acadêmico, do pesquisador da Educação e que você está
estudando com profundidade, mas lanço a seguinte indagação: 1) é justo
um camarada passar seis anos na Medicina sem pagar um tostão furado, se
formar, abrir uma clínica particular, se atrolhar de dinheiro e não
pagar nada por uma formação superior caríssima?; 2) mais ainda: conheço
um caso de uma pessoa. Formou-se em Medicina e pelo volume expressivo de
publicações de artigos em revistas internacionais, na área de
neurociências, sua dissertação foi aceita como tese e recebeu o título
de doutor, sem passar pelo mestrado, até aí tudo bem porque é algo
aceito no caso de trabalhos executados com brilhantismo. O problema vem
agora: o acadêmico foi aos Estados Unidos com bolsa do CNPQ para o
pós-doutorado, conseguiu green card, encaixou mais uma segunda bolsa de
uma instituição norte-americana, arrumou um emprego e parece que o
projeto é ficar por lá mesmo. Pode ou não pode? E o dinheiro do
contribuinte que financiou esse projeto pessoal? volta ou não volta...
Tenho minhas dúvidas.
Fernando Cibelli de Castro

Boa-noite, Juremir.
Parabéns pela coluna desta terça-feira,23. Como podemos ter acesso à tese?
Obrigada,
Maria Inês Mello

Conforme o "Censo da Educação Superior, 2008 - INEP", divulgado em 27/11/09:
Do total de 2.985.000 VAGAS oferecidas para cursos superiores presenciais, 88,5% são de instituições particulares;
49 em 100 VAGAS do ensino superior do Brasil ficam ociosas;
O número de VAGAS ociosas teve um crescimento de 11,6%, de 2007 a 2008, sendo que elas mais do que duplicaram na rede federal: são 7.387 vagas não preenchidas em 2008.
Países onde o montante de MATRÍCULAS garantidas pelo PODER PÚBLICO é superior a 75%: França, EUA, Alemanha, Tailândia, México, Venezuela, Uruguai, Argentina, Honduras, Inglaterra, Bolívia, Itália, Panamá, Áustria... China, Rússia, Cuba...
Quantos universitários do mundo estudam em instituições públicas e quantos em particulares?
Quais os países que mais têm estudantes em instituições particulares?
Pedro Bon


Meu prezado Juremir,
gostei também deste seu artigo.
Talvez alguns acadêmicos até nem entendessem bem se você tivesse dito no início do seu escrito
"Eliminar o ofídio e exibir o báculo".
Um Abraço !
Wilson Alfeu Schneider
leitor assíduo