Juremir Machado da Silva

A posição dos leitores (5)

A posição dos leitores (5)

Oi! Preciso te contar algo muito engraçado. Sempre te chamo de "minha paixão".Adoro tua coluna no Correio do Povo. Hoje meus colega professores me questionavam o porquê do teu silêncio em relação a nossa classe.Foi uma brincadeira total. Sempre lia tua coluna na hora do recreio e colocava-a no mural da sala dos professores. E muito tempo não faço isso. Nos esqueceu? um abraço.
Gisela


Oi Juremir!!!! Ao ler tua coluna de hoje fiquei seriamente preocupada com o porque dos homens franceses preferirem as mulheres italianas. Como minha origem é totalmente italiana,de todos os lados, considerei esta uma questão primordial para a minha sobrevivencia no mundo atual. Vamos que eu encontre um frances perdido por aí. . .Após muitas conjeturas cheguei a simples conclusão: os franceses preferem as italianas porque eles tem muito bom gosto. Fora isto, são mais livres nas questões amorosas,menos preconceituosos e complicados do que nós,felizmente. Estou pensando em retomar meus estudos de frances. Quem sabe? Abs.Adriana.

O que sempre me pareceu estranho em todos os argumentos dos defensores das cotas é que eles não se importam que elas sejas racistas e discriminatórias. Todos eles são contra o racismo e a discriminação se ficarem no lado dos excluidos. Como agora ficam no lado que se beneficia, o racismo é ótimo, legal e deve ser defendido pelo Estado. Preconceito racial, religioso, econômico ou linguistico é um fato deplorável, mas praticamente impossivel de erradicar, pois nunca vamos poder interferir nas relações familiares que geram e perpetuam esses padões. Mas a discriminação legal inexistia em nosso pais há mais de cem anos. Não digo não se usassem subterfugios para burlar a lei, mas nunca se pretendeu instituir uma legislação que excluisse pessoas por critérios raciais. Pelo menos até as cotas aparecerem.

Até a denominação de ’Ação afirmativa" é uma falácia. É afirmativa para o beneficiado, mas bastante negativa para o excluido. Dizem que é discriminação positiva. Positiva prá alguns. Sempre há o excluido. Alguem tão sofrido e tão pobre quanto o beneficiado, mas talvez um pouco mais clarinho. Num pais de mestiços como o nosso todo conceito racial é ridículo. Em paises como os Estados Unidos pode-se argumentar que não existem raças humanas por principio cientifico, mas no Brasil não há raças pela inexistencia de separação efetiva entre as pessoas. Os conceitos raciais são simplesmente impossiveis.

Claro que as patrulhas adoram usar os pardos e mestiço para engrossar as estatísticas que os favorecem com cotas e depois perseguem os beneficiaDOS que não se enquadram em seus conceitos bizarros de Negritude para esclui-los, como já fizeram em inúmeras ocasiões.

O impensável aconteceu. Já é possivel excluir, perseguir e denegrir alguem por raça ou origem no Brasil. Basta que seja branco. Tenta imaginar o que aconteceria se o Presidente dissesse em rede nacional que a crise era coisa de negro, ou se uma ministra dissesse que era normal odiar negro, ou se alguem dissesse que col.egas de turma deveriam ter notas maiores se pretendessem entrar na UFRGS quando fossem negros.

Porque é isto que acontece. Só que a triste história do prejudicado e excluido das cotas ninguem quer contar. todos fingem que ele não existe e varrem o coitado prá baixo do tapete. Nem sequer permitem que se divulgue a lista de quem foi excluido.

Em todo concurso onde entra alguem por cota, sai alguem por cota.E o excluido é, provavelmente, do mesmo meio.

Num concurso da prefeitura entraram oito candidatas negras para o cargo de proffessora primária, pelo sistema de cotas. Achas que as oito brancas que não conseguiram emprego com notas melhores que as aprovadas eram todas da elite, classe A, dondocas que estudaram nos melhores colégios particulares de São Paulo, Dos EUA, da Suiça?

Achas que pelo sistema de cotas não tem nenhum branco mais pobre que o Paulo que ficará de fora?

Se o maniqueismo da afirmação rico entra e pobre não for verdadeiro, então a cota beneficia o negro mais rico e o branco mais pobre não tem nenhuma chance de entrar.E não venhas tentar vender a idéia que não tem branco pobre.

Então é só o filho do Paulo Paim frequentar o colégio militar, que ele consegue fácil, e entra na universidade com nota muito menor que o meu filho. E o meu filho fica sem vaga.

Se o ensino público tem deficiência a culpa é dos politicos e governantes, não do pagador de impostos nem do jovem excluido pela cota. Por que então é o jovem, que não tem culpa nenhuma que deve pagar o pato?

Luiz Monteiro