Juremir Machado da Silva

A reforma dos políticos para os políticos

A reforma política foi votada na Câmara dos Deputados.

Nada mudou.

Tudo o que é bom para as democracias consolidas continua ruim para o Brasil.

Responda rápido:

1) Quantas democracias desenvolvidas têm o sistema proporcional brasileiro que permite a eleição do menos votado?

2) Quantas democracias desenvolvidas impedem a reeleição de governadores, prefeitos e presidentes?

3) Quantas democracias desenvolvidas permitem o financiamento empresarial de campanhas políticas?

4) Quantas democracias desenvolvidas permitem o financiamento empresarial por empresas que negociam com o Estado?

5) Quantas democracias consolidadas usam urnas eletrônicas que não permitem recontagem dos votos?

6) Quantas democracias consolidadas permitem coligações nas proporcionais para driblar o quociente eleitoral?

7 ) Quantas democracias consolidadas permitem alianças eleitorais sem responsabilidade e continuidade depois de eleitas?

8) Quantas democracias consolidadas usam os sistemas distrital puro ou distrital misto que o Brasil não rejeita?

9) Quantas democracias consolidadas recolocam em votação no dia seguinte um mecanismo rejeitado no dia anterior?

10) Quantas democracias consolidadas têm financiamento público total de campanhas políticas?

*

O STF decidiu que presidentes, governadores, prefeitos e senadores não precisam ter fidelidade partidária.

Nas eleições majoritárias, o voto é considerado da pessoa.

A realidade indica o contrário.

Salvo exceções.

Os votos de Lasier Martins para o Senado eram dele.

Na maior parte das vezes, para o senado, os votos são do partido.

Mônica Leal fez quase um milhão de votos para o senado.

Na corrida para a deputação, fez 29 mil.

Esses eram os votos dela.

Nas eleições majoritárias a legenda conta mais.

Nas proporcionais, por ser um sistema de concorrência múltipla, o voto é muito mais no candidato.

Esse deveria ter mais direito a infidelidade.

Salvo pelo fato de que a maioria precisa pegar votos emprestados para se eleger.

*

A reforma política feita na Câmara dos Deputados só é boa para os políticos.

Eles vão continuar podendo se eleger com votos de outros.

Foi mantido o sistema vota num, elege outro.

Supostamente para impedir, com o falecido distritão, a hegemonia das celebridades e do poder econômico, transformados em monstros para assustar os incautos, foi mantido o sistema pelo qual celebridades cheias de dinheiro podem arrastar com seus votos para o parlamento um número gigantescos de candidatos praticamente sem votos e que jamais se elegeriam sozinhos.

A reforma política não aconteceu.

Emplacou a reforma dos políticos para os políticos.