Juremir Machado da Silva

A teoria dos efeitos

Muita gente se impressiona com o acessório.

Televisão é imagem, diz o clichê.

Os "intelectuais" olham Manhattan Connection, com seu visual arrojado de quem tem dinheiro para cenário modernoso, e juram que o conteúdo do programa é espetacular ou até mesmo genial.

Tem a profundidade de um pires.

Salva-se por algumas tiradas brilhantes de Diogo Mainardi.

O resto é só clichê reacionário.

O telespectador deixa-se enganar pelo efeito de aparência.

Efeito de design.

Modernismo sem fundo.

Não é melhor, em conteúdo, do que Guerrilheiros da Notícia.

Assim como o Jô Soares não é melhor do que Pedro Ernesto Entrevista.

Ambos são "invisíveis".

*

Outro efeito enganador é o Efeito de Hierarquia Geográfica.

O leitor gaúcho metido a intelectual acha que determinado colunista é melhor por viver e publicar em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

Gaúcho é caso psicanalítico.

Comemora uma revolução que perdeu, a Farroupilha.

Ignora a que ganhou, 1930.

Faz feriado em 20 de setembro.

Passa o 3 de outubro em branco.

Na história do Brasil, Bento Gonçalves é nota de pé de página se comparado a Getúlio Vargas.

Gaúcho sofre de complexo de inferioridade.

Acha-se superior em tudo.

Mas só admira o que vem de cima ou faz sucesso  "lá fora".

Gaúcho escritor só é bom se "passar no Jô".

A maioria se contenta com o Pedro Ernesto.

Tudo Efeito de Hierarquia Geográfica.

Efeito de centralidade.

Efeito de verticalidade.

Juca Kfouri seria necessariamente melhor do que Hiltor Mombach.

É o contrário.

Hiltor tem mais ironia, malemolência, humor e conteúdo.

É mais ferino. Tem um texto muito superior.

Elio Gaspari e Carlos Heitor Cony, que são bons, embora nada excepcionais, seriam melhores do que quase todos os colunistas e cronistas abaixo de São Paulo.

Colunista é como treinador de futebol, exceto pelo salário.

A maioria repete o mesmo esquema.

No Rio de Janeiro, não tem um só acima da média.

É tudo praticamente do mesmo nível.

Baixo.

Intelectualoide é como patricinha e socialite: compra tudo pela marca.

Vive de distinção.

Só acredita na aparência.

É a geração D.

D de design.

D de Dã!