Venina Velosa da Fonseca é veneno puro na Petrobras.
Ela até pode estar mentindo, mas tudo nela soa verossímil.
Parece um romance de tão verossímil.
Ela mandou e-mails para os superiores avisando que tinha rolo na firma.
Advertiu Paulo Roberto Costa, o cérebro do golpe, que, como numa novela, riu e tratou de agir.
Avisou Graça Foster com palavras cheias de emoção e de termos obscuros como "esquartejamento".
Foi mandada para Singapura como "prêmio". Nada mais verossímil do que esses prêmios dados a jacarés quando as empresas querem abafar um escândalo acreditando que o silêncio vencerá a podridão crescente.
Venina casou-se com um fornecedor da firma. Cheia de nervosismo, confessou, em linguagem de burocrata, que "descontinuou" um contrato com o marido para não ferir o código de ética da empresa do seu coração.
Venina está na berlinda. Diz que sofre ameaças. Parece ter perdido o marido. Deve ter ouvidos conselhos assim:
– Fica quieta. Não estraga teu futuro. Você não é Deus para querer botar moral no mundo. Fecha o bico.
Mas Venina é do tipo que se atola. Vai até o fim. Tudo começou quando ela ajudou a revelar uma mutreta no setor de comunicação da Petrobras. Milhões pagos por serviços não prestados. O bicho pegou. Gente caiu. Venina ficou marcada. Só não podia ser demitida. Virou pedra no sapato. Teve medo. Aí veio a explosão e ela não se conteve.
Botou a boca no mundo.
Venina pode ser o veneno que derrubará reis e rainhas.
Nunca esquecerá. Hoje, ela fala assim:
– Foi na época do problema na comunicação...
No futuro, dirá:
– Foi quando eu decidi contar tudo o que sabia.
A sua vida nunca mais será a mesma.
Nem a da Petrobras.
Venina tem a verossimilhança implacável dos melhores romances policiais.