Juremir Machado da Silva

Adeus, Paul

Adeus, Paul

Eu me arrependo.
Falei mal do Paul.
Ele não virá.
Morreu.
Pobre, Paul.
Eu o admirava muito.
Paul, o polvo.
Todo fã é um chato em potencial.
Todo fã de Beatles é um chato sem potencial.
Pior do que isso só fã de música gaudéria.
Ou de música clássica.
Ou de Chico Buarque.
Ou de musiquinha baiana.
Ou de rock.
Parafraseando um leitor, cultura em excesso emburrece.
Ou acaba com o senso de humor.
Leitor é um ser estranho.
Entende o que bem entende.
Hoje, um me elogia por eu ter criticado os grevistas franceses, que eu elogiei.
Outros me aconselham a ouvir Beatles.
Quero acalmá-los: sou um perfeito idiota, mas não sou completamente ignorante.
Fiz um curso de cultura geral contemporânea.
Por correspondência.
Ouvi Beatles para passar na prova.
Fui!
Vou ouvir o melhorzinho de todos, Beethoven, que também não tem grande importância na minha vida, embora eu o ouça quase todo dia, José Mendes e Beatles. Depois, uivarei na janela.
Uivarei para os tucanos!
E para os petistas.
No debate da Record, a Dilma deu outra surra no Serra.
O Geraldo era muito melhor de verbo que o Zé.
Como é que alguém consegue perder na saliva para a Dilma?
Pobre do Paul.
Morreu.
Nem sequer foi assassinado.