Juremir Machado da Silva

Adeus, Rohmer

Adeus, Rohmer

Eric Rohmer morreu aos 89 anos de idade.
Foi um dos maiores cineastas franceses de todos os tempos.
Apesar de mais velho do que Godard e Truffaut, fez parte da turma da Nouvelle Vague.
Era o cineasta da palavra.
Pintou como ninguém as paixões, especialmente nos seus quatro filmes sobre as estações do ano (da vida): Contos de Primavera (1990), Contos de Inverno (1992), Contos de verão (1996), Contos de Outono (1998).
Rohmer era deliciosamente chato.
Não fazia concessões.
Não buscava o sucesso fácil.
Não adulava produtores.
Não se ajoelhava diante do público.
Fazia cinema de arte.
Cada filme era uma obra pensada, criada, parida.
Escritor fracassado, levou as palavras para os filmes e as transformou em imagens.
Talvez se possa aplicar a ele mais do que a qualquer outro a idéia de Gilles Deleuze e Félix Guattari, aplicada inicialmente a Kafka, de uma arte “menor”. No caso, um cinema “menor”. Não no sentido de mais fraca ou de menor importância, mas como arte do pequeno, do cotidiano, do ínfimo, das paixões vistas por um ângulo sem grandes metáforas ou grandes discursos. Todo na obra de Rohmer era suave, discreto, elegante, delicado.
Mas, ao mesmo tempo, era agudo, penetrante, incisivo, cortante.
Rohmer fez da Nouvelle Vague um caso à parte.
No Brasil, poucos chorarão por ele. Uma pena.
Rohmer foi o que todo artista deveria ser: um exigente.
Era implacável com a mediocridade.
Queria o máximo de si.
Dava o máximo aos seus refinados espectadores.
Fez cinema com extrema delicadeza.