Adolescentes salvam velhinhos de incêndio
Prezado Juremir, boa noite
Antigamente se dizia a quem queria reclamar de alguma coisa: “Vai te queixar pro bispo!” Hoje não é mais o caso. Estou reclamando pra ti.
Todos os instrumentos de que o homem se serve podem ser usados para o bem ou para o mal, a escolha é de cada um. A imprensa é uma invenção maravilhosa que traz inúmeros benefícios à vida em sociedade, porém, tenho uma queixa. Em geral a mídia carrega nas notícias negativas. São reais, mas eu me pergunto: será que são tão poucos os fatos positivos que merecem se divulgados?
Alguém me contou a seguinte história: Uma colher de sal num copo de água deixa essa água muito salgada, mas esse mesmo sal diluído num balde de água fica bem mais fraco. Penso que se pode aplicar essa imagem às notícias. Como se fala com muita freqüência em acontecimentos negativos, a população vive apavorada porque parece que estamos rodeados somente por malfeitores. Mas fatos positivos também acontecem. Tem muita gente fazendo maravilhas por esse Brasil a fora. Como o sal, se os fatos negativos fossem diluídos na grande quantidade de fatos positivos, que também são reais, a sociedade viveria mais tranqüila. Não se trata de esconder o que é negativo, apenas de não dar o realce que é dado, a ponto de ser invejado o título de “o maior corrupto”, “o bandido mais procurado”.
Os “formadores de opinião” como alguns gostam de se intitular, não admitem a influência da imprensa dobre as pessoas, dizem que estão apenas informando sobre a realidade, o que é uma incongruência: o que quer dizer “formadores de opinião”? Parece que eles não sabem que imprensa e sociedade são interdependentes. Se por um lado a imprensa relata o que acontece, os acontecimentos mostrados provocam emulação.
Tudo isso para contar um caso acontecido esta semana.
Houve um incêndio numa casa pobre em Eldorado do Sul por volta da meia noite de segunda-feira. Três adolescentes que estavam conversando na rua ouviram gritos de socorro e foram ver. Resumindo: dois idosos estavam trancados dentro de uma casa que estava queimando e não achavam o jeito de sair. Um dos adolescentes conseguiu arrombar a porta e os velhinhos foram salvos. Enquanto não chegavam os bombeiros, eles jogaram água como puderam e evitaram que outras casas queimassem também. Osmar, um dos adolescentes, chegou em casa e contou meio superficialmente o que tinha acontecido. Os seus pais só ficaram sabendo o que realmente tinha acontecido quando, no dia seguinte, pessoas começaram a desfilar na casa deles para agradecer o que o Osmar havia feito.
Telefonei para um veículo de imprensa, esperando que o caso pudesse ser publicado, uma vez que a tempestiva intervenção desses meninos salvou a vida de duas pessoas e evitou que o fogo se propagasse. A pessoa com quem falei apenas me perguntou: “Morreu alguém”? Não, graças à intervenção desses adolescentes. O caso não mereceu atenção. Infelizmente perdeu-se uma oportunidade de dizer que os jovens não são todos drogados e causadores de acidentes nas estradas. Existem também jovens generosos e solidários.
Obrigada pela atenção. Cordialmente,
Lydia Theresa Miotto Gabellini
Rua Santo Antônio, 554/01 – Porto Alegre