O que o leitor acharia se a principal avenida de entrada de Buenos Aires se chamasse Avenida Jorge Videla?
E se a principal via de Paris se chamasse Marechal Pétain?
E a principal saída de Lisboa fosse Avenida Salazar?
E entrada e saída de Madri homenageassem Francisco Franco?
Que tal entrar em Roma pela Avenida Benito Mussolini?
E sair de Montevidéu pela Avenida Bordaberry?
Melhor ainda, chegar e sair de Santiago do Chile pela Avenida Augusto Pinochet?
Não sei, de repente, alguma dessas cidades ainda homenageia generosamente seus ditadores.
Ah, mais nós temos Getúlio Vargas.
Mas nenhuma, que eu saiba, Avenida Estado Novo.
O Getúlio Vargas era como Fernando Pessoa, múltiplo.
O Getúlio homenageado em praças, parques, escolas, avenidas e cidades certamente não é o ditador.
Mas, claro, nunca é de se duvidar.
Que tal manter uma Avenida Muamar Kadhafi na entrada da capital líbia?
Ou uma Avenida Stalin como via de acesso a Moscou?
Perguntas, apenas perguntas.
Brasileiro tem mania de ser diferente.
Caudilhos eram os heróis dos outros.
Nossa ditadura seria particular.
Afinal, os ditadores faziam rodízio.
A direita acredita que seus ditadores são bons.
Tão bons que nem seriam ditadores.
Até parece comportamento de certa esquerda.
Que tal uma Avenida Stroessner?