Ana Amélia Lemos é uma mulher sempre muito gentil com jornalistas.
Cada entrevista sua no Esfera Pública é grande momento de polidez.
Posso ter me enganado, mas em tantas conversas no ar entendi que ela preferia apoiar a reeleição de José Ivo Sartori ou o tucano Eduardo Leite para o Piratini.
O PP lançou Luiz Carlos Heinze.
Entendi que ela queria fugir de Jair Bolsonaro.
O PP gaúcho ama o capitão.
Entendi que ela não queria ser vice de Geraldo Alckmin, embora o preferisse a Bolsonaro.
As coisas avançaram.
Entendi que a reeleição certa para o Senado começou a balançar.
Entendi que ela queria concorrer sozinha ao Senado e o PP fingia apostar nessa ideia embora esteja coligado com o PSL de Bolsonaro, que lançou Carmem Flores para lhe dar a guarida que Ana Amélia recusava.
Ser vice de Alckmin virou uma boa saída para Ana Amélia.
Será que ela se enganou um pouco com o PP?
Imaginou que era um PSDB de centro-direita, ao menos na representação que alguns tucanos têm do PSDB, uma suposta centro-esquerda? Terá descoberto que o PP gaúcho pode ser de extrema-direita?
Ninguém foge da sua natureza.
Se Ana Amélia fecha com Alckmin, o que já parece feito, o PP gaúcho terá dois candidatos à presidência da República.
Oficialmente o PP irá com Alckmin. Os gaúchos irão "cristianizá-lo" (Cristiano Machado concorreu em 1950 pelo PDS, que votou em Getúlio Vargas, do PTB) e votar em Bolsonaro. Na melhor das hipóteses, fazem o presidente. Na pior, a vice.
O pior seria melhor.