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A segunda menção que fazes no teu artigo me parece ainda mais grave. Não é uma afirmação direta, mas é uma construção do teu discurso que afirma que o Clube preferiu uma proposta da Andrade Gutierrez que seria o dobro do valor de uma proposta do mesmo tipo da Engevix. Antes de ir direto a esse ponto, vale esclarecer que todas as empresas até agora envolvidas nessa discussão (Tedesco, Andrade, Engevix....) vieram como alternativas para o Clube através do ex-presidente Vitorio Piferro, que continua bastante envolvido em todo esse processo. A Andrade Gutierrez não foi trazida ao Clube pela atual direção, muito menos por mim. Quando cheguei ao clube, em janeiro deste ano, já haviam ocorrido muitas reuniões com a Andrade Gutierrez. Eu nunca havia conhecido ou tido qualquer contato com qualquer pessoa vinculada a Andrade Gutierrez. Fui inserido nesse processo a pedido do presidente Giovanni Luigi, que pediu que eu, junto com todo o conselho de gestão do Clube, avaliássemos o atual modelo e as alternativas de outros modelos. Passados mais de um mês, e pelas razões já amplamente apresentadas pela imprensa, optou-se por levar ao Conselho Deliberativo a opção da Andrade Gutierrez. Por quê? Resumidamente porque era a única proposta que até aquele momento se manteve estruturada no modelo de preço fechado, que entregava um Estádio reformado, nos padrões exigidos para a Copa do Mundo de 2014, que não endividava o Clube, que garantia as atuais receitas do Clube e tudo isso dentro de um tempo que cada vez ficava mais escasso para o Internacional. A solução Andrade Gutierrez é a melhor solução do mundo? É a melhor alternativa entre todas aquelas que poderíamos imaginar? Evidentemente que não, mas é a melhor alternativa que avaliamos ter nesse momento. O processo de reforma do Estádio e a decisão de transformar o Beira-Rio em sede da Copa de 2014 não foi um decisão da atual direção e muito menos minha. Só estamos tentando resolver um problema herdado, com varias dimensões e implicações, e num curto espaço de tempo. Agora o mais grave do teu artigo, na minha opinião. Disseste que teríamos recusado uma oferta de Engevix no mesmo modelo da Andrade Gutierrez por metade do custo proposto pela Andrade Gutierrez. Onde está essa proposta, Juremir? Eu teria o maior interesse em vê-la. Uma proposta de preço fechado, com garantias de entrega do novo Estádio, no modelo Fifa, sem endividamento do Clube, por 10 anos apenas de cessão de receitas futuras? É isto? Isto seria fantástico, mas para mim pelo menos nunca chegou tal proposta. O fato é que o ex-presidente Vitorio Pifero entregou para o presidente Giovanni Luigi um proposta da Engevix, no modelo de tomada de empréstimo e sem ser a preço fechado, e este marcou uma reunião com a presença do ex-presidente Vitorio e mais umas 15 pessoas, incluindo membros do Conselho de Gestão. Eu também participei desta reunião. O modelo apresentava a possibilidade de a Engevix dar garantias ao BNDES, mas o clube teria que oferecer garantias a Engevix, como a própria receita futura da venda de cadeiras, de direitos de televisionamento ou da prórpia venda de atletas do futebol no futuro (hipótese levantada pelo próprio ex-presidente Vitório Pífero). Nesse momento, o Conselho de Gestão avaliou que cairíamos novamente no mesmo modelo que queríamos evitar e ainda com riscos adicionais sobre futuras receitas do Clube. Foi esta, em síntese, a proposta formalmente entregue. A empresa ainda sinalizou naquela reunião que poderia fazer uma proposta a preço fechado, provavelmente mais barata, mas que precisaria de mais tempo, de três a quatro meses. E aí voltamos novamente à questão do tempo como um fator restritivo. Efetivamente, a única proposta entregue, aquela que chegou as minhas mãos pelo presidente Giovanni Luigi, em nada tem haver com a proposta que descreveste: uma proposta de metade do preço da Engevix!
Juremir, não sei se irás publicar este email que te envio. Gostaria muito. Acho justo. Mas o mais importante pra mim é poder exercer o meu direito como cidadão de contestar fatos que julgo inverídicos e que atingem uma conduta ética que sempre preservei na minha vida. Não costumo questionar os argumentos e opiniões de jornalistas. É do direito e dever da profissão expressar livremente suas idéias e seus argumentos. Mas creio que tenho também o direito e o dever de questionar pontos do teu artigo que não correspondem à verdade. Ainda mais quando baseados em fatos que afirmo serem inverídicos e que lançam dúvidas sobre a conduta ética de uma gestão e de uma pessoa.
Por último, sobre as minhas indicações para diversos prêmios, feitas por ti, troco todas elas por um tratamento mais equilibrado e justo num tema tão importante para o futuro do Sport Clube Internacional. Deixo os prêmios para pessoas mais brilhantes como tu.
Atenciosamente,
Aod Cunha