Juremir Machado da Silva

Aod Cunha para patrono da Feira do Livro

Aod Cunha para patrono da Feira do Livro

Eu gosto de futebol.
Mas me cansa ver tudo resumido a Inter e Grêmio.
Em qualquer lugar, gremistas e colorados começam a se provocar.
Mesmo que seja de brincadeira.
Às vezes, é por falta de assunto.
Ou só para colocar um pouquinho de pimenta no cotidiano tedioso.
Aos poucos, tudo vai se resumindo a isso, virando sectarismo.
Outro dia, alguém me perguntou se sou sócio do Inter.
Claro que não.
Eu não sou sócio de coisa alguma, de clube algum.
Eu sou livre, independente e libertário.
Indiquei Aod Cunha para a Academia Brasileira de Letras e para o Nobel da Literatura.
Esqueci de indicá-lo para patrono da Feira do Livro de Porto Alegre.
Vou citar três homens que conhecem profundamente a questão da reforma do Beira-Rio: Vitorio Piffero, Mário Sérgio Martins e Pedro Affatato. Eles dizem que o Inter pode fazer a reforma sozinho.
Se tiver de arranjar parceria, que abra negociações. São contra cair no colo da Andrade Gutierrez.
Até dois meses atrás, o Inter estava seguro do que fazia.
Aod Cunha entrou no Inter, com sua ideologia da parceria, e Luigi mudou de ideia.
Pode ser simples coincidência. Mas Aod é a favor da parceria.
É ideologia. Pura ideologia. Nada mais.
Aod é desses mitos que a mídia ajudou a construir sem jamais analisar detidamente.
A mídia é, em geral, conservadora.
O discurso do déficit zero a encantou.
Nunca se parou realmente para examinar a sua veracidade.
Se o atual secretário da Fazenda diz que esse déficit zero não aconteceu, é coisa de petista.
É ideológico. Como se a fúria contra o petismo também não fosse ideológica.
Eu não tenho partido.
Meu partido é a liberdade.
Sou franco-atirador.
Aod jamais provou a existência do seu déficit zero.
Deu uma melhorada nas contas. O resto foi marketing.
Aí Aod virou mito. E parou no Beira-Rio.
A mídia caiu de quatro.
O mesmo aconteceu com Jânio Quadros em 1960 e com Collor em 1989.
Os saneadores fascinam a mídia. Os salvadores da pátria.
A mídia adora também o discurso da privatização e da parceria.
Cai de boca. Rima com a eterna crítica de que o Estado não sabe gerir.
É um refrão inventado por quem tem interesse em se apossar do patrimônio público.
Os clubes do futebol começam a ser visto como "públicos".
É um filão que se quer explorar.
Imaginem só: apossar-se de parte do Inter por 20 anos!
Basta dizer que vai criar emprego para a paixão ser fatal.
Não importa a que custo o emprego será criado. Por exemplo, o custo da natureza.
Ou a exploração repugnante como essa da parceira do Grêmio na Arena.
Se depender de certa mídia e dos jovens yedistas e velhos britistas, Porto Alegre vira uma cidade dos emirados.
Como se aceitar, sem discussão, algo tão impressionante?
Por que a Andrade Gutierrez?
Por que não outra?
Mário Sérgio Martins diz, na coluna do Hiltor Mombach, o melhor colunista de esportes do Rio Grande do Sul, que os números foram inflados para fazer o buraco parecer maior.
É preciso assustar muito a torcida do Inter, apavorá-la dizendo que a Copa irá para o Grêmio, para que todos corram e se joguem nos braços de um empreiteira cujo nome ninguém sabe de onde saiu.
A mídia não cai nessa balela por outra coisa que não seja a força do imaginário.
Foi adestrada ao longo dos anos para acreditar nessa melodia.
Se o Inter não tem dinheiro agora para a reforma, que não a faça.
Vai perder a Copa do Mundo?
Que perca.
O São Paulo desistiu e fez muito bem.
Por que o Inter não poderia fazer o mesmo?
Por que vai parar no Grêmio?
Azar.
Em São Paulo, vai parar no Corinthians.
A rivalidade Gre-Nal está sendo usada para satisfazer interesses financeiros poderosos.
Eu continuo imaginando aquele final de novela retrô. A massa vermelha na frente do Beira-Rio gritando:
– Fora Luigi. Fora Aod. Entreguistas!