Arruda, Luis XVI e Carlos I
Telmo Flor, meu grande amigo e diretor do CP, conhecedor de História e homem de excelente humor, me lembra: Carlos I, da Inglaterra, perdeu a cabeça antes de Luis XVI. É verdade. Carlos dançou I. Turgot, ministro de Luis XVI, vivia aterrorizando seu chefe: “Olhe o que aconteceu com Carlos I...” Luis encolhia o pescoço e coçava a cabeça. Teve um dia em que Maria Antonieta, Madame Déficit, mulher de Luis XVI, até exclamou:
– Pensei ter casado com o rei da França, vejo meu erro, casei apenas com o rei da Inglaterra.
Ela só não imaginava ter casado com um novo Carlos I.
Também perdeu a cabeça.
Primeiro por um sueco gostosão.
Depois, bem depois todos sabem... Não teve jeito.
Necker tentou salvar as cabeças coroadas com uma boa reforma. No desespero, tentou um golpe de marketing genial. Publicou, pela primeira vez, as contas da nação, com arrecadações e gastos. Um choque. “O relatório ao Rei por Necker” vendeu cem mil exemplares em algumas semanas, seis mil num só dia. Um best-seller. Um Paulo Coelho.
Coisa que raros escritores brasileiros alcançarão.
O orçamento apontava, apesar de tudo, um superávit de 10 milhões. A oposição o acusou de manipular os dados eliminando da conta os gastos com a independência americana. O roubo seria, na realidade, de 218 milhões.
O rombo do INSS é fichinha.
Viram só? Nada de novo no front.
As malandragens de sempre.
O IBGE garante que a economia brasileira teve, na era Lulla, o melhor desempenho dos últimos 30 anos.
Sem as despesas do Haiti.
Os ruralistas ficaram com inveja: o governo estava distribuindo verbas por causa de uma catástrofe natural e não era para eles. Denunciaram a operação perdulária.
Os americanos gostam de lembrar que salvaram a França na Segunda Guerra Mundial. Pagaram, na verdade, a dívida da fundação do país, quando Luis XVI mandou, de uma vez só, seis mil homens para a América e muita grana.
Esse Luis XVI tinha a cabeça fora do lugar. Deu aos Estados Unidos o que negava à França. Tomou ferro.
A vida é assim. É só ler “Revolução Francesa”, de Max Gallo. A turma fez uma revolução para que os privilegiados também tivessem de pagar impostos. Nós, pelo jeito, fizemos o contrário. É a nossa originalidade.
Arruda é o nosso Luis XVI. Melhor, nosso Carlos, o primeiro a dançar, primeiro governador a dormir em cana.
Parece que ele não queria ficar. Teria alegado:
– Não trouxe meias nem cuecas.
O DEM é a nossa Maria Antonieta. Faz de tudo para manter os seus privilégios. Passou anos morto de inveja do mensalão do PT. Não queria ficar para trás. Deu um jeito. O mensalão do DEM de Brasília é imbatível.
Mata a cobra e mostra o pau.
Não fica Sombra de dúvida.