Juremir Machado da Silva

As coincidências do Kassab

As coincidências do Kassab

É como sempre se diz: Kassab sabe. Quem não sabe...
Tudo pura coincidência. Como sempre. Coincidência é um estado necessário de acontecimentos emanados do acaso ou casualmente de algum acerto furtivo. No bom sentido.
Coisa rápida. Inesperada. Mas desejada.
Outro dia um cara falou assim: “No bom sentido da palavra roubo”. Fiquei esperando a explicação. Não veio.
E agora essa.
Empreiteiras e especuladores imobiliários envolvidos num escândalo de doações ilegais de campanha.
Que injustiça!
Esse pessoal doa por amor. Não quer nada em troca.
Inventaram o almoço grátis.
E que almoço. Filezinho. Caviar. Champanha.
Recusam qualquer retribuição. São republicanos.
Como os dos Estados Unidos.
Ajuda do Estado: só em caso de urgência e com taxas de juro baixíssimas ou a fundo perdido.
O Estado deve ser mínimo. Ou Pronto-Socorro.
É isso: o Estado é SUS dos bancos e dos ricos.
Resumo da ópera requentada: “No processo contra Kassab, o promotor eleitoral Maurício Lopes acusou o prefeito de ter recebido doações ilegais da AIB (Associação Imobiliária Brasileira), de sete construtoras e do Banco Itaú - cujas contribuições somaram mais de R$10 milhões em 2008”. Feijão com arroz. O de sempre.
Por coincidência, nada mais do que isso, todos os doadores têm bons negócios com a prefeitura de São Paulo.
Só não conseguem preparar a cidade para as chuvas.
Precisam de mais tempo. E de mais contratos. O tempo varia muito. Não é confiável. Mas dá para negociar.
Aceitam fazer novas e generosas doações.
Sem contrapartida. Of course!
Mais coincidências: DEM e PMDB estão na jogada.
Ah, bom? Deve ser um engano. Não pode ser.
Eu pensava que só o PT fazia maracutaias.
E o DEM de Brasília. Estou atônito. PMDB e DEM de São Paulo metidos numa encrenca dessas. Muito estranho.
Isso realmente é uma novidade.
Quer dizer, uma coincidência.
Tenho um amigo que não se cansa de repetir:
– Nunca se roubou tanto neste país.
Kassab sabe. Quem não sabe fica sem doações.