Juremir Machado da Silva

Atos infames e dia de recordar a infâmia de 1964

Atos infames e dia de recordar a infâmia de 1964

Hoje, 31 de março, é dia de lembrar a última grande infâmia brasileira, o golpe militar de 1964.
Um e-mail de um leitor me faz refletir sobre onde estamos, 47 anos depois, neste Brasil que ainda tem trabalho escravo e, de parte de alguns, saudades dos tempos da ditadura. Um dos saudosos é o infame deputado Jair Bolsonaro, que se destacou nesta semana por suas declarações racistas e homofóbicas. Avante, Brasil, para trás. Quem sabe, um salto, com uma comissão da verdade para colocar torturadores na cadeia. Seria uma verdadeira revolução. Redentora.

PREZADO JORNALISTA!

Uma vez mais, saúdo a autenticidade, clareza e coragem de sua coluna.

Gostaria de chamar a atenção para um fato.

Na sexta-feira, dia 24 de março, ouvi uma notícia na Record News,
segundo a qual um jovem universitário - pelo que entendi, da
Universidade Federal do Pampa -, na cidade de Jaguarão, foi agredido,
constrangido e alvo de graves ameaças por parte de policiais militares
daquela cidade. Motivo: SER NEGRO. Desconheço pormenores. Isso é o que
extraí da notícia.

O jovem, um negro baiano, declarou ser o único de sua família com a
perspectiva de fazer formação superior. Os demais parentes não tiveram
acesso à universidade.

Consta que foi ameaçado de, caso comparecesse ao "batalhão" para
queixar-se, tomar uma surra. E mais: ameaçaram-no de "forjarem um
flagrante por uso de drogas". Ele estava sendo rigorosamente escorraçado
da cidade.

Talvez o senhor me considere um pouco "fora da casinha". Fato é que tive
o cuidado de telefonar e remeter e-mails a alguns jornalistas da RBS.
Queria que o fato fosse tratado jornalisticamente.

Na terça-feira, 29 de março, ouvi na Guaíba breve referência que me fez
entender que o assunto havia sido tratado pela jornalista Marjulie
Martine. Nos órgãos da RBS, eu nada percebi. Não afirmo que não houve lá
matéria.

Minha indagação é esta: por que é que um fato desses não redundou num
escândalo? Temos o Estado agredindo, perseguindo, oprimindo um cidadão -
posso dizer OS CIDADÃOS - e nada acontece.

Temos uma polícia cada vez mais parecida com a polícia do czar. é a
negação daquilo que entendo como democracia. No entanto, esse fato teve
repercussão muito inferior ao que teria se alguém arranhasse o carro
importado de um jogador da dupla grenal.

Não dá pra entender.

Cordial abraço,

Renato Sant’Anna