Belo poema sobre cavalos
O VERDADEIRO GAÚCHO & O CAVALO:
Cavalo para nós Juremir
Não é vaidade e nem luxo
Pois foi de riba de um deles
Que nós queimamos cartucho
E se não fosse esse bicho
Nem existia o GAÚCHO!
Já cansei de patacoadas
De façanhas em rodeios
Já ri de falsos campeiros
Que montam potros de freio
Chega de brutalidade
De rasgar cavalo ao meio!
Nunca se monta num potro
Sem antes amanunciá-lo
Parceiro a gente conquista
Não prende a custa de pealo
Tem que respeitar um amigo
Que nos serve de regalo
Se até nossa independência
Foi feita sobre um cavalo!
Se criou solto nas praderas
Singrando um mundo de pastos
Empurrou até aqui o Rio Grande
Chantou fronteiras com o rastro
Que até o nosso mapa tem a forma
Da parte interna do casco.
Desde então homem e cavalo
Seguem nessa trajetória
Parceiros de lida e farra
Irmãos de dor e de glória
Um não vive sem o outro
E sem os dois não tem história!
Até Garibaldi um italiano
Maturrango sem debuxos
Mostrou que é muito mais fácil
Nos derradeiros repuxos
Agaucharem-se os gringos
Que agringarem-se os gaúchos!
Tenho no sangue tropilhas
De relinchos e cincerros
Soy gaucho vivo a caballo
Entre manadas e perros
Com a mesma alma de potro
De Sepés & Martín Fierros!
Quem sou eu sem o meu cavalo?
Que será dele sem mim?
Talvez dois seres perdidos
A vagarem no capim
Dois tacaurus carcomidos
De aspa de touro e cupim
Pois quando morre um cavalo:
MORRE METADE DE MIM!
Se um dia eu me for pro céu
Peço ao meu Deus com quem falo
Se de novo eu voltar pra terra
Me dê o supremo regalo
De vir GAÚCHO de novo
Só pra encontrar meu cavalo!
Dom Juremir: Li com muito gosto,como sempre, a tua crônica sobre o cavalo e as selvagerias que em nome de um pseudo gauchismo cetegeano,obsoleto e anacrônico,se comete com esse irmão de viagem do verdadeiro gaúcho,na nave cósmica que é esse nosso conturbado e maltratado planeta.
Sem querer ser dono da verdade,apenas militante de um gauchismo diferente,livre do lado circense e da alienação cetegiana do gauchismo oficial,tenho plena consciência do valor do cavalo(antropológica,sociológica e históricamente)pois SEM ESSE BICHO NÃO TERIA EXISTIDO O GAÚCHO.
Tomo a liberdade de te mandar em anexo(em mp3) um tema feito por nós recentemente ALERTA AOS FALSOS CAMPEIROS(recitado pelo meu irm’ao Louren;o Vargas) onde erguemos um libelo nativo c om muita afinidade com o que escrevestes.
Para finalizar me ocorre o que diria um cavalo se pudesse falar,conforme o patricio Fernando Affonso em LAMENTO DE UM CAVALO CRIOULO
SOU FILHO DA PAMPA. MEU PADRASTO E O SOL FORTE,MINHA MADRASTA A GEADA,MEU PADRINHO O VENTO MINUANO,MEU PATR’AO O GAUCHO,MEU AMBIENTE O CAMPO ABERTO.SOU CRIA DA PAMPA E SE GOSTASSE DE VIVER ENCERRADO AS COCHEIRAS NAO PRECISARIAM TER PORTAS!!!!!!
Um grande abraco
João Sampaio