O Brasil foi eliminado pelo Peru na Copa América dos Estados Unidos.
Que importa se o gol do adversário foi com a mão?
Os críticos do futebol brasileiros estão felizes.
Não deixam de ter razão quando se referem à CBF, essa instituição mafiosa controlada, sem que nada aconteça, por um homem que não pode sair do Brasil para não ser preso.
A crítica, porém, é mais ampla. Mira a maneira de jogar dos brasileiros.
Houve um tempo, romântico, em que o Brasil podia ser potência do futebol.
A globalização acabou com essa última vaidade dos periféricos.
Hoje, os meninos praticamente só querem vestir camiseta de clubes europeus.
A Europa leva os melhores jogadores do mundo para seus clubes.
É a supremacia do dinheiro.
A síntese disso é o ataque do Barcelona: Messi, Suárez e Neymar.
Argentina, Uruguai e Brasil.
No época dos clubes globalizados, as seleções teriam de ser o último reduto da nacionalidade.
Derradeiro espaço do talento acima da grana.
Os europeus, contudo, inventaram uma ideologia sob medida: a modernidade tática.
Seriam eles os revolucionários da tática, do futebol coletivo e dos grandes treinadores.
Os entreguistas do futebol querem um estrangeiro para ensinar os brasileiros a jogar.
Acontece que os brasileiros jogam nos melhores clubes globalizados do mundo.
Mais do que nunca o Brasil mergulhará no complexo de vira-latas.
Mais do que isso, passará à síndrome do cavalo cansado.
Caiu diante do Peru jogando à nova maneira europeia.
Sem volantão de marcação.
Cada um comete erros proporcionais à sua estatura. Como toda regra, essa também tem exceção (o que significa que nem toda regra tem exceção). Napoleão errava inversamente proporcional ao seu tamanho. Também se pode dizer que acertava seguindo a mesma métrica. O baixinho gigante teria dito antes de ser mandado para Santa Helena: “Eu aprendo com meus erros”. Os meus erros são, de fato, ao mesmo tempo, direta e inversamente proporcionais ao meu tamanho: pequenos na falta de consequências. Grandes quanto ao conteúdo. Errar pequeno é coisa de quem não ousa. Ou acerta muito.
Nunca imaginei que o Japonês da Federal seria preso antes de Eduardo Cunha. Garanti, impactado pelo empate com a Chapecoense no Beira-Rio, na primeira rodada, que o Internacional lamberia o rodapé da tabela. O time de Argel está pintando o teto da classificação. As apresentações não empolgam. Os resultados dão gosto. Futebol é assim mesmo. Vi Alemanha e Ucrânia. Os alemães usaram e abusaram dos lançamentos longos. Aprendi a diferença entre ligação direta e lançamento: o acerto.
Estou condenado a ser um nacionalista anacrônico.
Sempre desconfio da palavra modernidade.
Normalmente ela recobre um autoelogio, uma ideologia ou uma imposição.
O Brasil precisa se livrar da catrefa da CBF.
Precisa dar uma chance a Tite na seleção.
Precisa começar de novo.
Precisa saber que a pior das derrotas não impede vitórias futuras.
Precisa convocar Luan, o do Grêmio, para dar criatividade ao seu ataque.
Luan joga mais do que todos os estrangeiros do ataque brasileiro.
O Brasil precisa acreditar que o futebol continua o mesmo com algumas variações.
As pequenas contribuições europeias ao jogo atual podem ser assimiladas por qualquer seleção.
Futebol não é ciência. Continua a ser uma mescla de planejamento, improvisação, talento individual, jogo coletivo, ousadia, prudência, passe, drible, marcação, risco, lançamento, chute e aproximação.
Por muito tempo, o Brasil lamberá as suas feridas e será empurrado para o fundo do poço.
Talvez, no futuro, não haja mais Copa América nem campeonatos na América do Sul.
Olharemos a Eurocopa. Torceremos pelos clubes da globalização.
Seremos apenas exportadores de commodities.