Cai a violência no Rio
Amanhã, vou embora.
Passarei o carnaval no sul da Bahia.
Vou feliz. Eu adoro estatísticas. Ainda mais quando elas são positivas e me tranqüilizam. Fico radiante.
Sei que o homem brasileiro transa em média sete vezes por semana. Fico orgulhoso. É verdade que as mulheres só o fazem duas vezes no mesmo período. Mistério? Ou temos opções sexuais mais heterodoxas?
Brincadeirinha!
Falando sério, muito sério mesmo, como exige o tema: a violência no Rio de Janeiro diminuiu. Embora tenha aumentado. É simples e lógico, mesmo se não parece.
Basta ter fé nos dados e nos pesquisadores.
Eu estava sentindo essa mudança radical.
Só me faltava o apoio científico.
Chegou. Li nas páginas de O Globo.
Como todos sabemos, O Globo não mente.
Nem a mídia em geral. É questão de princípio.
O jornalismo é objetivo, imparcial e neutro. É só olhar a revista Veja para nunca mais se duvidar disso.
Pois é, os homicídios diminuíram no Rio, ainda que em números absolutos tenham aumentado. Sei que entendem.
A taxa era algo em torno de 34,7 assassinatos por cem mil habitantes. Agora, em tempos mais calmos, a taxa caiu para 34,6. Um acontecimento. Algo quase fantástico.
A verdade é que, em números absolutos, os assassinados passaram de 5700 para 5700 e mais alguns.
O importante, acreditem, é a taxa.
Alguns mortos a mais ou a menos na realidade nunca vão atrapalhar a beleza perfeita de uma curva descendente. A estatística é uma arte maior. Eu a amo.
Dá para sentir nas ruas essa passagem de 34,7 para 34,6. É empolgante. Faz parte de uma política de governo.
Acho.
Enquanto isso, só para termos uma comparação, as taxas dos países europeus mais ricos e afetados continuam estagnadas. Não subiram. Mas também não caíram. Estamos, nesse quesito, melhor que os europeus. Viva nós. Uau!
Paris e Londres, por exemplo, continuam tendo, se não me engano, um (1) assassinato por cem mil habitantes/ano. Não é uma vergonha? Não é assustador?
É um perigo ir a Paris. Londres, cuidado!
Como podem os europeus aceitar a imobilidade dessas taxas? Por que os governos não as reduzem a zero? Por que não se miram em nosso exemplo? Por que não aprendem aqui?
No Iraque, campo minado, parece que o número de assassinatos por cem mil habitantes ao ano anda em torno de 20. Nenhum iraquiano quer passar férias no Rio. Temem a violência. Preferem ficar em paz na guerra caseira.
Tudo isso é mito. O Rio é uma calmaria só.
Desde que estou no Rio, não vi um só assassinato ao vivo. Apenas os da televisão. Todos no subúrbio. Imagens recuperadas. Os morros estão pacificados. Até Beyoncé foi gravar o seu vídeo numa favela. O próximo serei eu.