Juremir Machado da Silva

Características do fã típico de Chico Buarque e LFV

Características do fã típico de Chico Buarque e LFV

Num livro chamado "A miséria do jornalismo brasileiro", escrevi sobre o fã típico.
É um ser religioso.
Sectário.
O fã típico não é o admirador.
É o admirador doente, fanático, exacerbado.
O admirador percebe grandeza e mesquinharia.
Pesa e pondera. Valoriza e critica.
O admirador sabe que todo mundo tem altos e baixos.
O fã típico endeusa, idolatra, ajoelha-se diante da sua divindade.
O caso se agrava nos casos de fãs de estrelas culturais.
O fã cultural se acha gênio por admirar o gênio de outro.
Mas se comporta como um imbecil.
Muitas vezes, é imbecil.
Acha-se diferente por ter o comportamento de um rabanho.
Admira sua marca predileta como uma patricinha admira um produto no shopping.
O fã típico acha que seu ídolo é perfeito.
Se o ídolo se envolve numa roubada, o fã típico raciona assim:
1) Ele não sabia
2) Ele não tem culpa
3) Estão falando isso por inveja dele
4) É coisa de gente ressentida
5) Isso não aconteceu.
O fã típico de Luis Fernando Verissimo, quando é jornalista, começa qualquer texto sobre o ídolo com uma afirmação bizarra: ele é muito tímido, mas estava no show de fulano ou beltrano.
O fã típico de Chico Buarque, quando é jornalista, começa qualquer texto sobre o ídolo com uma afirmação bizarra: ele não gosta de badalação, mas estava no show de fulano ou beltrano.
A fã típica de Chico Buarque sempre conclui que "Chico é Chico".
O fã típico é um idiota de plantão.
Chico Buarque foi agraciado com um Jabuti indevido.
A regra dizia que para ganhar o grande prêmio de melhor livro de ficção do ano seria preciso vencer numa das categorias da ficção. Chico não venceu. Chegou, pela direção do júri, em segundo lugar.
Ele sabia disso.
A direção da Câmara Brasileira do Livro resolveu dar-lhe o grande prêmio do melhor do ano assim mesmo.
Passou por cima dos primeiros colocados nas categorias de ficção: conto, romance.
Chico poderia ter recusado o prêmio.
Não o fez.
Jean-Paul Sartre recusou um Nobel.
Chico aceitou um Jabuti que não lhe era destinado.
Assim caminha a humanidade.
Chico aceitou o cálice de vinho tinto de armação.
Aceitou a trapaça.
Não adianta os fãs típicos espernearam: é fato.
O presidente do Grupo Editorial Record, que teve um escritor esbulhado, protestou em carta à CBL.
Quase toda a mídia em papel silenciou.
Sérgio Machado garante que a Record não vai mais participar do prêmio nessas condições.
Eu nada tenho com isso.
Não estava concorrendo.
Não acredito em prêmios literários.
Não quero que as editoras inscrevam meus livros em prêmio algum.
Muitas vezes, elas o fazem sem me consultar.
Muitas vezes isso está em contrato.
É pegar ou não publicar.
Já tem um movimento na internet: Chico, devolve o Jabuti.
O Jabuti do Chico é uma "cágada".
Uma fraude, uma trapaça, uma sacanagem.
Uma cretinice típica de um país sem grande literatura na atualidade e que adora bajular suas celebridades.
É coisa de jeca.
A direita está tentando se aproveitar do escândalo.
Já tem direitoso dizendo que Chico ganhou por ser "comunistóide".
Conversa fiada.
Papo reacionário.
Tem gente dizendo que os "petralhas" deram o prêmio a Chico.
A política brasileira é "petralha", do PSDB baiano ao DEM de Brasília, do PMDB do Maranhão ao PSDB mineiro, etc.
Não me venham com esse udenismo rastaquera.
O prêmio foi dado a Chico Buarque por tietagem.
Atingimos o mais alto nível de mediocridade: estamos na sociedade "midiocre".
A imprensa cultural paulista e carioca é de uma estupidez exemplar.
Cobre "pelada" do Chico Buarque em capa de caderno de cultura.
É tudo velhão babão ou guri deslumbrado.
A imprensa cultural paulista faz assessoria de imprensa para a Companhia das Letras.
A imprensa cultural carioca é a mais bairrista do planeta.
Chico Buarque é um baita músico e um escritor mediano.
A vida é assim.
José Saramago, como disse há alguns dias um novelista da Globo, era apenas um escritor acima da média.
Jô Soares é um escritor medíocre. Ou felizmente já parou?
Luís Fernando Verissimo é um bom cronista de humor e um péssimo romancista.
Eu sou, claro, um invejoso.
Sou o maior invejoso do planeta. E o mais ressentido.
Sou um poço de rancor.
Esse é o insulto máximo que um fã típico consegue jogar na cara dos detratores dos seus ídolos.
Especialmente quanto os detratores estão com a razão.
Resta encontrar algum insulto para jogar na cara dos fatos.