Juremir Machado da Silva

Carta de um velho aposentado

Carta de um velho aposentado

Caro Juremir

Estou te enviando este e-mail a pedido do meu pai.
Ele se chama JULIO GARAY BRITES, aposentado tem 84anos, saudavel, lúcido esportista(joga futebol, faz musculação e caminhadas).Meus pais moram junto comigo. Quando trabalhador fez um sacrificio (porque durante muitos anos trabalhou para uma oficina como chapeador e posteriormente vendedor de produtos agricolas) juntamente com minha mãe para contribuir no maior valor possivel de contribuição para a Previdencia Social para quando chegasse sua aposentadoria recebesse um valor que lhe permitisse uma vida tranquila. Mas hoje o valor não lhe permite manter todas as necessidades dos dois, especialmente por conta de medicamentos necessários para manutenção da saúde.
Ele tem acompanhado todos os momentos de discussão relacionados ao ganho dos aposentados, fator previdênciario, etc.. pela televisão, jornal, revistas enfim, busca sempre estar atualizado em relação aos seus direitos.
Como ele possui a assinatura do Correio do Povo, viu seu artigo publicado ontem dia 13 de abril de 2010, APOSENTADOS UNI-VOS, e me disse que lhe escrevesse fazendo o seguinte comentário; fala dele que trasncrevo por conta que ele não mexe com computador"Pela primeira vez um orgão de imprensa e um reporter ou jornalista destina um espaço importante para falar sobre a situação dos aposentados no BRASIL. Estou satisfeito porque o sr. não fez apenas uma notinha em um cantinho do jornal, como é comum.Na verdade o destaque que a imprensa tem dado ao assunto muitas vezes se parece com o tratamento que o governo tem dado a categoria, sem muito destaque e importancia. Mas seu artigo demonstra a realidade dolorida, que permeia as atitudes governamentais em que estar vivo até hoje(84anos) e com saude para viver mais uns bons anos é quase um atentado ao restante da sociedade, como se o que recebemos e o que reivindicamos por direito fosse um favor e não um direito adquirido pelo nosso trabalho. O presidente da republica aposentou-se aos 38 anos, tambem ele como seus ministros, deputados e senadores desejam viver por muitos anos, haja vista o vice presidente da republica que luta contra uma doença terrivel sendo considerado um exemplo de resistencia para vida. Além disso as atitudes relacionadas a garantia de direitos dos aposentados pelo governo e congresso nos colocam fora da igualdade garantida pela constituição federal e acreditam que por sermos aposentados e termos alguns anos a mais de vida, não pensamos, não nos posicionamos, não VOTAMOS e não temos capacidade de influenciar outras pessoas em relação aos seus votos.Somos milhões e com certeza podemos mudar o caminho de uma eleição. Nos construimos a riqueza deste pais, assim como a atual classe trabalhadora e temos o direito de escolher se queremos ficar sentados em casa vendo televisão, se nos agrupamos em associações, se queremos participar dos bailes da terceira idade ou se queremos continuar trabalhando formalmente, porque cumprimos todos os requisitos exigidos para garantir esse direito.
Mas hoje quero lhe cumprimentar pelo artigo e dizer-te que ao le-lo senti como se fosse nossa voz que tivesse contribuido na sua escrita porque o que dizestes é a dura realidade do aposentado no Brasil, que é de discriminação, preconceito. O governo fala muito e defende com ações discutíveis o fim do preconceito contra negros, indios, mulheres, estudantes de escolas públicas etc..., mas ao mesmo tempo discriminam nós antigos trabalhadores com direito a um tempo de serenidade.
Saber que ainda existem pessoas formadoras de opiniões em atividade que possuem a capacidade de sentir e divulgar as nossas angustia é gratificante porque daqueles que tem o poder de mudar esta realidade não podemos esperar mais nada.
Obrigada e desejo que tu possas continuar emitindo suas opiniões sempre para levar animo aqueles que estão necessitando serem ouvidos".

Opinião Julio Garay Brites, transcrito por Jussara Bohrer Garay