Juremir Machado da Silva

Celso Roth tem feiura de Pajé

Sim, Celso tem feiura de pajé.

Eu o entendo.

Eu também tenho.

Feiura de pajé é mais uma expressão do professor Anibal Damasceno Ferreira.

Sei lá de onde tirou isso.

Certamente da feiura dos pajés.

Em muitas tribos, o pajé tem um papel bizarro: ser o alvo de todos os ódios.

É nele que se descarregam os males da comunidade.

Quem tem feiura de pajé pode fazer muito, ganhar muito, mas nunca será unanimidade.

Chico Buarque é o oposto de quem tem feiura de Pajé.

Tudo o que faz é saudado como genial.

Mesmo quando faz algo mediano.

Celso Roth é o mais amado dos mal-amados do Rio Grande do Sul.

Vai e volta.

É o salvador, o bode expiatório, o courinho.

Mesmo quando alcança a meta – salvar o Grêmio do rebaixamento – leva pau: por que não fez mais?

A força de quem tem feiura de Pajé é a sua perseverança.

Celso não trabalha por menos de R$ 500 mil mensais.

Diz o que pensa quando quer.

Maltrata a mídia.

Usa e abusa da ironia.

Recusa-se a ser humilde.

Celso é nietzschiano sem o saber.

Não se comporta como rebanho.

Tem o desempenho médio da maioria dos técnicos brasileiros.

Mas é mais odiado.

As suas vitórias – ganhar bem, voltar sempre, ser incontornável – aumentam o ódio contra ele.

Celso Roth, feito a Geni do Chico, também tem os seus caprichos: a ser demitido mais uma vez, preferiu uma pontinha, minúscula, de honra; sair primeiro. Afinal, quem tem feiura de pajé tembém tem seu orgulho.

Mesmo que Celso ganhasse tudo, do gauchão ao mundial, ele continuaria detestado.

A feiura de pajé é para sempre.

É a marca dos malditos.