Juremir Machado da Silva

Celular e pena de morte

Celular e pena de morte

Falar no celular pode ser muito perigoso.
Diariamente é preciso resistir às investidas das operadoras. Recebi oito ligações diárias de uma delas durante 15 dias. Queriam me vender algo que eu não queria comprar. Eu não precisava. Discutiram comigo o conceito de necessidade, de “precisão”, como se diz em Palomas.
Na Coreia do Norte falar no celular é mais perigoso ainda. Um homem foi executado por ter falado ao celular com um refugiado residente na Coreia do Sul.
Ditadura comunista é assim. Não dá mole.
Os livros de Pedro Juan Gutierrez não saem em Cuba.
Celulares e livros são muito perigosos.
Derrubam ditaduras.
O twitter pode ser ainda pior.
É por isso que tem muita gente contra essas novas tecnologias. Não aceitam a ideia de que qualquer um possa dizer o que quiser a qualquer momento sem passar por algum controle. Reclamam de uma quebra de hierarquia.
Jung foi morto depois que a polícia encontrou um celular chinês na casa dele. Que crime hediondo!
E tem quem apóie por aqui esses métodos expeditos.
É gente que só quer o bem de todos.
É verdade que no Brasil tem gente que fala tanto no celular, e tão alto, que merecia um tratamento coreano.
Por exemplo, quem atende celular no cinema.
Ou quem conta a vida ao celular no lotação.
Outro dia, tomei conhecimento de todos os problemas de hemorróidas de um passageiro. Muito instrutivo.
Querem detalhes? Vou poupá-los disso.
Outra vez, fiquei a par da disfunção erétil de um cara e dos cornos salientes de um outro, muito infeliz.
Quase me tornei adepto da pena de morte.