Juremir Machado da Silva

Contra o especismo e outras manifestações

Contra o especismo e outras manifestações


Bom domingo Juremir !

Excelente o artigo sobre os cachorros. Há longo tempo venho pregando discurso na mesma linha, obviamente, com menos talento que Vossa Excelência.
Como bom discípulo do penúltimo filósofo da nossa Pontifícia, o Padre Phull, acho que a submissão do "homem" contemporâneo aos canídeos extrapolou os limites da mais singela inteligência. Digo mais, eminente pensador, se tivéssemos de recriar a logomarca da CASA VITOR, lembra, as figuras estariam invertidas. Quando vejo um "cidadão" ser arrastado pelas ruas por um micro-cachorrinho, perco qualquer esperança de eviolução social. Não obstante a ensandecida luta do Rogério por um país melhor, creio, que, no caso, se foi a cadela com a sinta. Da mesma forma, quando observo alguém limpando os dejetos nas ruas da capital, penso que só há uma coisa mais humilhante, fralda descartável. Porém, como sabemos, desta ninguém está livre.

SDS. Nilso = Luiz Nilso de Andrade

Desculpa a expressão exagerada se eu te chamar de idiota e imbecil.

Afinal, eu também exagero.

Gosto dos animais, não sou fanático, agora o que tu escreveu ta demais.

Acredito sim que o animal é o retrato do dono. Na minha familia temos Pit Bull, rotweiller e Bull dog, todos criados com muito carinho, criados com crianças até pessoas de mais idade e todos muito mansos, nunca morderam ninguém.

O dia que tu entrares em um presídio vai preferir "comer" o coco de um pit bull a passar uma temporada la.

Att. Marcus Vinicius

Oi Juremir

Estive na entrevista que deste aqui em Osório na Feira do Livro em novembro. Queria te ouvir pessoalmente e, tirando o fato de descobrir que és colorado doente (ninguém é perfeito), não me decepcionaste.
Leio tuas crônicas pois somos assinantes do Correio do Povo.
Também escrevo, só que são textos quinzenais para o Jornal Bons Ventos aqui de nossa cidade. Não chego nem no teu calcanhar.
Me identifico muito com teus pensamentos, mas essa semana tu superou, parece que leu meus pensamentos. Adorei aquela sobre a moral, mas a dos cachorros... se eu fosse escrever alguma coisa sobre o assunto seria exatamente igual.
Assim como gosto quando meus leitores dão o retorno, resolvi te mandar esse e-mail.
Meu nome é Claudia Pelissoli e é um prazer acompanhar teu trabalho.

Abraço
Ola Juremir !
Sou leitora ,da tua coluna no CORREIO Do POVO.,e achei o maximo escreveres sobre este, exagero com que, algumas pessoas
tratam seus animais,e quanto aos PIT BULS ,concordo em todos os sentidos quando os descreves como animais HEDIONDOS pois
atacam sem do nem piedade,a exemplo de varios casos de criancas indefesas atacadas por estes terrores e nao ha noticias de que seus
donos, sofreram alguma penalidade por isso.
Com todo o respeito ,que tenho por animais, tb acho que cachorro e cachorro,para mim ainda ,vale o velho Ditado ( CADA MACACO NO SEU GALHO). Tambem ,gosto de um bom VIRA-LATA no Quintal .
GRATA PELA ATENCAO.
ABRACOS MARLENE MESQUITA

Caro Juremir

Sempre que um jornalista utiliza conceitos que pouco conhece e os apresenta deturpados à opinião pública, eu lamento, mas não me mexo da poltrona, porque me parece inerente a esta profissão falar sobre o que desconhece.

Quando um cientista social faz isso no seu espaço jornalístico, eu até acho que vale a pena dar-lhe um toque. O conceito de especismo é bastante conhecido meu, faço parte de um grupo que luta pela abolição do especismo, e alguns anos de leitura e debate qualificado (até com opositores) me deixam um tanto confortável para falar dele.
Mas não vou tomar teu tempo falando do que é o especismo e a contraposição a ele. Vou te falar do que o antiespecismo NÃO É. Nada no combate ao especismo leva alguém a paparicar um animal domesticado, banhá-lo em perfume, deitá-lo na sua cama ou em qualquer coisa além de um paninho. Temos uma dívida para com os animais domesticados que nos leva a adotá-los, ter sua guarda (não posse), esterilizá-los (por mais que isso choque alguns. Em geral homens ficam muito perturbados com essa prática), aguardar que vivam sua vida o menos precariamente possível, sempre lamentando a domesticação e combatendo o seu comércio.

Como tu, sou antropóloga (sem a sorte de ter estudado em Paris, mas tendo a sorte de me beneficiar mais do que aprendi na literatura e na vida real do que na Academia, seja ela qual for, incluída aquela na qual leciono). Já estudei a domesticação e as razões humans para tal. São, é claro, especistas.
Mas não fujamos do tema principal.

Vejo que o tema do veganismo e do antiespecismo te toca e fico feliz por isso. Mesmo que ironizes, mesmo que o diminuas, mesmo que, a exemplo do que se fazia quando se dizia que os comunistas no poder comeriam as criancinhas e tomariam os apartamentos da classe média, aches que veganos só comem alfaces ou se punem comendo brócolis (mais uma vez revelando teu desconhecimento do que é a dieta vegana), prestas, querendo ou não, um serviço à causa. Conheces, por exemplo, meu marido, João Carneiro, que não é um vegano pálido, miúdo, esquálido e esfomeado, mas um ciclista bastante disposto e de bem com a vida.
Todas estas tentativas de desmerecer uma causa, quando ela ainda é tão desconhecida, só fazem bem a ela, porque a tiram do esquecimento que convém àqueles que se locupletam de explorar os animais e sua massa de manobra, os consumidores. Fale-se no veganismo e no antiespecismo! Mesmo quando seus ironizadores revelam o total desconhecimento conceitual, ajudam a divulgar a ideia. Claro que seria melhor que ao menos os cientistas sociais prestassem um pouco de serviço à verdade e não falassem bobagens. Ao te escrever não quero defender o antiespecismo ou o abolicionismo, mas a Antropologia.
É quando um antropólogo utiliza um conceito tão mal que fecho um excelente Como Me Tornei Estúpido de Martin Page, deixo de saber se Antoine vai se acertar com Clémence que, como eu, não come carne e acha que os automóveis são fétidos, barulhentos... uma calamidade, e ensaio uma resposta. Além do que, o que se faz quando se termina um bom livro, tão plagiado por alguns nestes pagos. e ainda não se tem outro para começar?

saudações veganas e abolicionistas,
Nazareth

P.S.: estimo que a leitora queira dizer com antiespecismo que não se deve maltratar os animais. Concordo. Mas é algo de que só a espécie humana pode ter consciência e decidir. Podemos chamar isso de especismo positivo. O antiespecismo tem por objetivo não matar e não causar sofrimento a seres sencientes (JMS).