Juremir Machado da Silva

Convite e mensagem emocionantes

Sou movido a afetos, emoções, vínculos e nostalgia. Sou como quase todo mundo. Se eu pudesse, mandava ladrilhar rua imaginária para a Cláudia passar. Não seria original, mas o que é a originalidade diante dos sentimentos e das alegrias no mundo? A rosa nunca é original. Tira o seu perfume de ser eternamente a mesma ainda que nasça e renasça como flor singular e única na sua generalidade. Se eu pudesse, noticiava toda manifestação de carinho, todo gesto de bonomia, toda declaração de amizade, todo interesse de alguém que me faz sorrir ou botar o pé na estrada de coração elevado. Neste universo de enormes maldades não faltam pequenas grandezas capazes de nos arrancar dos lugares-comuns.

Recebo muitos convites para palestras: dois a três por dia. Claro que não consigo aceitar todos. Alguns implicam viagens longas. Ando chegando em casa de madrugada. É bate-volta. Não tenho como fazer agora um lançamento do meu livro “Raízes do conservadorismo brasileiro: a abolição na imprensa e no imaginário social” em Natal, no Rio Grande do Norte. Estou concentrado em nossa querência e nas adjacências catarinenses. Faço malabarismos para atender quem gentilmente quer me ouvir. Todo convite é generoso. Alguns, porém, confesso, são emocionantes. Vou destacar aqui um que me arrepiou.

“Olá, sou Ezequiel, estudante do 3º Ano do Ensino Médio da escola Scalabrini (Encantado-RS). Como parte de uma tarefa da disciplina de português, definimos as principais formas de preconceito no Brasil, nossa professora realizou pesquisas e promoveu debates em sala de aula com foco na escravidão brasileira, levei para aula um de seus textos (particularmente o meu preferido) ‘Seres infames’. Com isso de imediato houve um grande interesse de meus colegas a conhecer mais do seu trabalho, imaginamos, não seria possível uma visita sua a nossa escola? Realmente estamos interessados e sentimos que há um grande déficit de conhecimento em relação à história africana não só na escola, como também na sociedade. Caso não possa comparecer entendemos que você tem uma agenda de compromissos complicada, mas caso aceite saiba que será uma grande honra, com certeza levaremos essa experiência para nossas vidas, e talvez possamos educar nossos filhos de forma diferente. Obrigado!”

Não é de ficar satisfeito?

Um jovem que leva um texto meu para sala de aula. Uma professora que estimula o debate sobre preconceito. Uma turma que se entusiasma e espontaneamente quer saber mais. Não é a primeira vez que isso me acontece. Sempre me emociona. Dizem que os adolescentes não se interessam por coisa alguma que não tenha a ver com tecnologia ou com o próprio umbigo. É falso. Adolescentes são como todo mundo. Talvez mais exigentes. Não dissimulam o que sentem ou pensam. Alguém já me disse que a idade adulta começa quando aprendemos a mentir por bondade e terminamos mentindo por conveniência ou algo pior. Não deixa de ser importante mentir por bondade, embora seja certamente uma mentira bondosa ou iludida. Quero aceitar o convite do Ezequiel. Fiquei feliz.

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Outra emoção foi receber um e-mail de uma pessoa que não vejo há 40 anos, meu professor no ensino fundamental no Colégio Santanense, em Santana do Livramento. Faz algum tempo, escrevi um texto em torno de uma foto da época. A crônica despertou a atenção de colegas e amigos.


"Meu grande amigo JUREMIR, quanto tempo... lá se vão 40 anos que nos vimos a última vez, lá no saudoso COLÉGIO MARISTA SANTANENSE, saudades de você e de toda turminha da foto que nós estamos. Ontem recebi um telefonema do mano que mora em Porto Alegre  ele me falou que você postou uma linda mensagem no Correio do Povo, sobre teus colegas quando estavam na 7a série em 1976. Eu tenho a original dessas fotos que volta e meia posto uma no facebook. Eu estou trabalhando na grande Amazônia já há 23 anos, atualmente estou na cidade de Lábrea-AM bem no interior da mata Amazônica, temos um colégio Marista com 1.100 crianças, o meio de transporte mais comum que os pais trazem os filhos para a escola é a bicicleta, alguns tem moto, aqui tem muita pobreza. Em época de chuvas que são 6 meses não tem ligação via terrestre com o resto do país.
Dia 27 de janeiro/2017 estarei chegando em Porto Alegre, vou tirar férias, visitar meus familiares, fazer um check-up, etc...
Amigo Juremir, outro momento conversaremos mais. Um grande e saudoso abraço.

Ir. Alécio Schneider"

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Hoje, 19h, farei a aula inaugural da Comunicação, na Unisul, em Tubarão, Santa Catarina, e lançarei meus livros “Raízes do conservadorismo brasileiro” e “O que é o imaginário”. Está marcado.