Crítica militar
Meu nome é Márcio Amaro e, ao lado do orgulho que sinto da família que constituí, alicerçada em valores aprendidos em longos anos de trabalho e dedicação, com igual orgulho envergo a farda e desempenho os deveres de oficial do Exército Brasileiro.
Assim, não pude deixar de acompanhar, com certa curiosidade, algumas observações em sua coluna diária no Correio do Povo, centenário meio de divulgação de idéias da comunidade gaúcha e, portanto, digno do mais elevado respeito.
Mas se falarmos de respeito, acredito que suas palavras não prezem pela observância deste atributo tão comumente abordado em tese, mas também tão desconsiderado na prática.
De acordo com o seu ponto de vista a ajuda humanitária que a Nação Brasileira empresta ao Haiti é uma boa oportunidade para se encontrar uma finalidade digna ao Exército.
Pois lhe afirmo, senhor Juremir, que em vinte e três anos de serviço à Pátria e ao Exército, nunca deixei de desempenhar uma função digna. Nunca deixei de estar preparado para as exigências físicas, intelectuais ou psicológicas que o desempenho das funções militares exigem que, imagino, o senhor desconheça completamente. Assim como eu desconheço a complexidade de se escrever uma coluna diária, sem o menor compromisso com a verdade ou com a qualidade do que se escreve e, portanto, não posso avaliar se sua função é indigna. Também não conheço a função, por exemplo, de bispo de determinadas agremiações religiosas e suas técnicas para a obtenção de pagamentos de dízimos, assim, não posso considerar indignas as funções de seus atuais empregadores.
Indigno, senhor, é falar sem conhecer.
A participação do exército brasileiro no Haiti produziu uma novidade: muita gente está sentido orgulho das nossas forças armadas.
Esta frase é sua, mas acredito que ela não corresponda à verdade, assim como também acredito que uma pessoa da mídia não possa ser tão mal informada quanto o senhor aparenta ser. Mas pretendo lhe ajudar: utilize a internet. Acesse o site de um buscador e coloque os termos de busca “confiança” e “Forças Armadas” e surpreenda-se.
Em outro trecho de suas opiniões, o senhor busca respaldar argumentos para o aborto alegando que em países mais desenvolvidos esta prática (no meu modo de pensar) assassina é legalizada. Diga-me, estes países desenvolvidos possuem Forças Armadas? Elas desempenham funções “tipo polícia”? Porque será?
Caso o Exército fosse empregado neste tipo de operação seria fácil treiná-lo, como o senhor alega? Quem o faria? A polícia do Rio de Janeiro? O senhor tem idéia sobre as coisas que escreve ou o faz apenas para garantir seu sustento?
O Brasil realmente é um país de paz. Neste tópico concordamos. Mas isto, certamente, não se deve a existência de pessoas como o senhor. Temos riquezas incalculáveis. As maiores reservas de tudo. Despertamos, naturalmente, a cobiça de todas as demais nações. Se eles ainda não vieram é porque gente como eu torna a empreitada economicamente inviável. Espero que continuemos cumprindo nossa missão e fornecendo a segurança necessária para que nosso País consiga crescer em paz. O senhor conhece três “caras” que querem sair do Exército por que cansaram de faz de conta. Imagino que queiram guerra. Devem ser loucos. Mande seus amigos para o Iraque. Estão recrutando mercenários lá.
Conheço centenas de militares que querem deixar as Forças Armadas. Não por serem loucos e desejarem a guerra como seus amigos. Mas porque desejam o reconhecimento de seus esforços. Porque estão cansados de ficarem meses, por vezes anos, longe de suas famílias, suas esposas, seus filhos, serem mal remunerados e ainda ter que ler colunas diárias escritas por idiotas nos desrespeitando.
Eu só lamento que estes idiotas sejam lidos por tantos outros; e eu, com sorte, serei lido apenas por um.
Tenha um bom dia.