Juremir Machado da Silva

Crônica da baixaria entre Santana e Kenny Braga

Reza a lenda que fica feio falar de problemas de jornalistas de emissoras concorrentes.

Não acho.

Jamais escutei o programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, por vontade própria.

Sempre o achei chato e marcado pela arrogância, pela prepotência e pela baixaria.

Vez ou outra, num lotação ou num táxi, ouvia alguns pedaços.

Nos últimos tempos, recebo fragmentos por e-mail ou links para ouvir os piores momentos.

Não mudei a minha opinião. Baixaria pura.

Houve o tempo das baixarias entre Paulo Santana e Ruy Carlos Ostermann.

Era a briga da estupidez com a simulação de elegância.

Teve a briga entre meu amigo David Coimbra e o pretenso rei da cocada, o cada vez mais caricato Paulo Santana.

E, agora, a briga do insuportável Paulo Santana e do exasperado Kenny Braga.

Kenny, que me surpreendeu com sua homofobia no caso do CTG de Santana do Livramento, começou criticando a agressividade de Cacalo, o primitivamente passional ex-presidente do Grêmio, e foi interrompido por Santana.

Kenny subiu o tom. Santana reagiu:

– Vai gritar com a tua mãe.

É grave. Gravíssimo. Noto, porém, que as tietes do Santana tendem a achar que é menos grave do que a resposta do Kenny:

– A tua mãe, fdp.

Essas duas falas sintetizam a história do programa Sala de Redação: gritaria, arrogância e baixaria.

Kenny, humilhado ao longo dos anos, explodiu. A história do Sala de Redação é a história do Paulo Santana humilhando seus colegas baseado na sua amizade com os donos da casa e na sua suposta relevância jornalística autoproclamada.

O palavrão de Kenny veio em reação a uma fala de boteco de quinta categoria de Santana, o que fica claro nesta resposta:

– Não vai botar a minha mãe no meio. Esse cara é louco – diz Kenny.

Faz tempo que muita gente pensa isso. A RBS criou, alimentou e continua a alimentar um monstro histriônico de soberba.

Por que não demitiu os dois?

No imaginário popular, a resposta é: porque Santana é gremista como a RBS; porque a indenização de Santana seria muito alta; porque a corda sempre rebenta no lado mais fraco; porque um tem as costas quentes e outro é um coitado...

A situação foi provocada pela grosseria de Paulo Santana, o intratável acostumado a pisotear colegas.

O inaceitável palavrão do explosivo Kenny foi o último estouro do maltratado.

Construiu-se ao longo do tempo a falsa ideia de que Santana era um gênio e Kenny um idiota.

Cheguei a ironizar que o contrário seria mais verdadeiro.

Santana, de gênio, nada tem. Provocado, usa as armas da violência rasteira por ter proteção.

Triste cenário do fanatismo primário convertido em atração intelectual.

Caiu a casa. Caiu a máscara.

Especula-se que o ex-presidente do Internacional, Fernando Carvalho, será contratado para o lugar de Kenny.

O jornalismo só perde. Os comentaristas de jornada são, cada vez mais, ex-jogadores com dificuldade para falar. Os comentaristas de arbitragem são ex-árbitros tatibitates. Os debatedores passam a ser ex-dirigentes medalhões.

Para os jornalistas, salários minúsculos e demissões. Para os figurões, condições especiais e bajulação.

Para quando o próximo palavrão?

Impossível ignorar os barracos do jornalismo gaúcho.