Juremir Machado da Silva

Desabafo de uma professora

Desabafo de uma professora

Em qualquer lugar do mundo,um professor é respeitado. Aqui, parece que é um desaforo. É professor? Bem feito! Quem mandou. Considero-me uma pessoa vocacionada para ensinar. Tive outras escolhas, mas esta foi a escolha final. Se me arrependo? Não. Estou com 75 anos e até hoje encontro alunos que me tratam com o carinho com que se trata uma boa lembrança ou uma pessoa importante em suas vidas. Tenho orgulho , sou grata a eles e feliz por ter participado da formação de pessoas que sabem reconhecer a dedicação e a orientação recebidas. A única coisa que lamento é que os nossos governantes não sintam o mesmo em relação às pessoas que se dedicaram a eles e que se dedicam a seus filhos e netos. Há muitos anos, Carrion Júnior, do PMDB, dizia que existia dinheiro para melhorar a situação da classe o que faltava era vontade política. Votei no Pedro Simon que assim que foi eleito entrou com pedido de inconstitucionalidade do piso de dois salários mínimos, herança de Jair Soares. Carrion Júnior, Secretário da Fazendo, perdeu o mapa da mina e ficou sem vontade política. Desilusão. Conheço os Genro , de Santa Maria. O pai de Tarso, avô de Luciana, mostrou sua personalidade quando Luciana, logo no começo de sua carreira, não havia decidido ainda ao que se canditaria. Quando decidiu, foi pedir apoio ao avô, homem de prestígio em Santa Maria. O avõ se desculpou, dizendo que infelizmente não poderia dar-lhe o apoio que , com certeza, gostaria de dar, pois como Luciana demorara por decidir-se já estava comprometido com Maria Augusta FELDMAN e palavra é palavra. Ficaria para a próxima eleição. Não sou filiada a nenhum partido político, mas sempre votei na família Genro, por confiar neles.Agora estou um pouco/muito arrependida do meu voto. O nosso governador sabe quem eu sou, pois quando me encontra na rua me cumprimenta "Elisabeth Horn, Santa Maria, teatro, Pedro Freire". É um milagre até que me reconheça, disfarçada como ando por tantos quilos a mais e pelas rugas que o tempo me ofereceu como brinde por ter resistido até agora.
Bem, tuas crõnicas fazem parte do meu café da manhã e mesmo quando não concordo com as ideias, me delicio com elas, pois é extraordinário e gratificante ler alguma coisa tão bem escrita, mesmo quando a opinião é diferente. Mas hoje, Carnaval, estou apenas desabafando. Ah, os políticos e suas promessas. Só um pecado não cometi: votar na Yeda. Mas votei no Tarso e agora vejo que ele não é diferente dos demais. Leio no Correio, de sexta-feira e de segunda (depois da tua crônica) que o nosso governador quer premiar só os que têm salários mais baixos. Quem ganha mais de R$1.187.07, não será contemplado. Está certo ele. É muito dinheiro! Tudo bem , lembro que ele prometeu que paragaria o piso até o fim de seu governo, mas até lá como vamos viver? Além disto quer lograr os pobres funcionários publicos que estão esperando há anos pelos RPVs. Conheço funcionários que fizeram um acordo e em lugar de R$ 40.000 deveriam receber R$ 8.000, deveriam, pois passados três anos ainda não viram nenhum centavo.Quando um cidadão tem que
pagar impostos, o governo não quer saber se ele está em má situação financeira. Têm que cumprir com sua obrigação.E o Estado, não?Pronto, desabafei. Já posso curtir um bom sono de noite carnavalesca,sem medo de pesadelos. O perigo é amanhã de manhã ao ler o Correio. O que será que vão inventar para torturar os pobres professores?
Maria Elisabeth Unikowski. Avenida José Bonifácio,541/14