A presidente Dilma está na maior saia justa em Cuba.
Como falar mal de alguém na sua casa?
Se é para fazer desfeita, melhor não ir.
Mas como ir e não se posicionar diante de um tema determinante?
A presidente buscou uma saída honrosa: quem não fere os Direitos Humanos que atire a primeira pedra.
No Brasil, tem tortura nas prisões.
Não temos greve de fome.
Temos fome.
Mas avançamos nesse quesito.
Se eu fosse dar um golpe de Estado e implantar uma ditadura, minha primeira medida seria assim:
– Quem não quiser viver sob o meu regime que caia fora.
Mas as ditaduras gostam de reter as pessoas.
Cuba é uma ditadura.
A pessoa para sair, mesmo não tendo condenação ou impedimento judicial algum, precisa pedir permissão.
Mesmo que seja para um passeio.
Isso basta para caracterizar uma ditadura.
Se quero ir à França, preciso de um passaporte e de dinheiro.
Só posso morar na França se for aceito pelo país.
Mas o Brasil não tem direito de me impedir de partir.
É simples assim.
Eu, no lugar da presidente, não teria ido à Cuba.
Fui lá como turista.
Não iria como chefe de Estado.
Pois, se fosse, teria de fazer críticas.
O problema é que, seguindo esse critério, eu também não iria aos Estados Unidos.
Teria de criticar o desrespeito aos Direitos Humanos em Guantánamo, a pena de morte em vários Estados, o protecionismo cretino e hipócrita, a indústria cultural, o fast-food... Melhor não ir.
Se fosse, ao voltar para casa, depois da roupa suja lavada como em Cuba, trataria de enfrentar os problemas domésticos citados.
Na prática, Dilma poupou Cuba, falou mal dos Estados Unidos e confessou para estranhos os nossos piores problemas.
Dilma seguiu a regra. Raramente um presidente fala mal de um país que esteja visitando.
Poderia fazer isso, quem sabe, ao botar o pé de volta no Brasil.
Também não funcionaria.
Seria acusada de covardia.
Melhor seria não visitar nem ter relações com ditaduras.
Nesse caso, os Estados Unidos teriam de romper relações com meio mundo.
E nenhum presidente de país democrático poderia visitar a Arábia Saudita.
Política internacional não é visita de comprades.
Mas, em todo caso, não se fala mal do compadre na casa dele.
Compreendeu a diferença, caro leitor?