Juremir Machado da Silva

Dilma furiosa na ONU e PSB fervendo no RS

O evento, no Sheraton de Porto Alegre, estava repleto de autoridades
O evento, no Sheraton de Porto Alegre, estava repleto de autoridades Foto : Ricardo Giusti
Eu tenho muitas dúvidas.

Mas não todas.

Ter dúvidas é fundamental, mas não obriga a jamais ter certezas.

Tenho ouvido muito que ser espionado pelos mais fortes é normal.

Pode ser. Mas duvido que seja aceitável.

Fico com a impressão de que quem acha "normal" ser espionado, considerado "anormal" reclamar. Um pouco mais e alguns dirão que ser espionado pelos Estados Unidos é um honra. A presidente Dilma Rousseff fez bem em cancelar a sua visita de Estado a Barack Obama e de soltar o verbo na ONU.

O "realismo" dos que ser vergam à espionagem tem a estranha magia dos fatos aparentemente irrefutáveis: se a espionagem sempre acontece, é normal. Se é normal, por que reclamar? Porque o normal pode ser anormal.

Há muito odor de ideologia na suposta resignação de alguns diante da escandalosa invasão americana em nossos negócios.

O discurso "furioso" de Dilma na ONU, segunda termo usado pela imprensa inglesa, é a resposta justa de quem não quer mostrar a retaguarda.

*

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, quer ser presidente da República. É seu direito. O PSB, seu partido, precisa acompanhá-lo.

O problema é que, no Rio Grande do Sul, o PSB foi eleito para governar o Estado junto com o PT. Ou só o vice-governador Beto Grill foi eleito?

Foi aliança de Tarso Genro com Beto Grill ou do PT com o PSB selada pelos votos dos eleitores? Confesso que muitas dúvidas me assaltam.

Ao sair do governo, o PSB está rompendo o contrato com assinou com o eleitor para ajudar a governar o Rio Grande do Sul durante quatro anos?

Ou vice-governador não faz parte do governo?

Se o PSB está saindo do governo, não deveria o vice-governador renunciar?

É possível ficar e sair ao mesmo tempo?

Parece esquizofrênico: o partido sai, o seu representante eleito fica.

Mas o cargo de um eleito não pertence ao partido?

Nada contra Beto Grill, gente boa.

Acontece que a política é esquisita.