Juremir Machado da Silva

Do impostômetro ao sonegômetro

Ricos não gostam de pagar impostos.
Muitos gostam de sonegar.
Clovis Rossi, na Folha de S. Paulo, destaca: "Um levantamento da Tax Justice Network mostrou que os paraísos fiscais escondem fabulosos US$ 21 trilhões, pilha que equivale à riqueza somada dos Estados Unidos e do Japão, a primeira e a terceira economias do mundo.Ontem, a Folha expôs o lado local: brasileiros depositaram de 1970 até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) nessas contas, nas quais "se pode guardar dinheiro em razoável sigilo, sem ter de responder a muitas perguntas nem pagar imposto".
A Associação Comercial de São Paulo precisa urgentemente disponibilizar um sonegômetro.
Tem gente que acha que, quando um deputado ou vereador vota contra aumento de salário para si e seus pares, deve abrir mão do ganho aprovado.
Muitas vezes são os mesmos que consideram, cheias de pretensa modernidade, a legislação trabalhista (férias, FGTS, décimo-terceiro) superada.
Minhas sugestões:
– Quem é contra pagar impostos não deve usar qualquer equipamento público
– Deve também retirar seus filhos de universidades públicas
– Quem é a favor da reforma da legislação trabalhista deve devolver décimo-terceiro e abrir mão do FGTS, etc.
Assim ficaremos mais coerentes.
Outra sugestão é: exigir mais pelos impostos que pagamos.
Mas aí já é simplismo.
Muito melhor é pedir mais e querer pagar menos.
Ou nada.