No jogo entre Inter e Avaí uma coisa ficou provada: melhor ter seis meio-campista do que um centroavante ruim.
É o fim de uma era.
A era do centroavante mandioca.
Aquele que fica parada dentro da área e faz gol não por ser bom, mas estar no lugar certo na hora certa.
O centroavante ruim faz gols porque é centroavante, não é centroavante porque faz gols.
Em casa, contra time ruim, um volante é suficiente.
Centroavante ruim não precisa.
Assim como a queda do muro de Berlim marcou o fim da Guerra Fria, o jogo Inter e Avaí, com a saída do Jô, marca o fim de um tempo, de um estilo, de uma visão de mundo, de uma concepção de futebol, de uma maneira de existir.
Como em tudo, o centroavante mandioca, apesar de sepultado por Dorival Júnior, vai continuar existindo por muito tempo como vestígio, resquício de uma época em que se amarrava cachorro com linguiça e antes de ganhar era preciso não perder.
Dorival é um revolucionário sem saber ou sem querer. Ou por falta de alternativa.
Dizem que o Barcelona já havia jogado sem centroavante.
O Barcelona não conta. O campeonato espanhol é um papinha, uma espécie de gauchão disputado só por dois clubes.
O fim de uma era passa, certas vezes, sem ser percebido.
Apenas os poetas, antenas do mundo, são capazes de avisar que algo aconteceu.
Jô entrou para a história como o último centroavante ruim da história do futebol.
Depois dele, quando a última pá de cal for jogada, todo meio-campista bom terá prioridade em relação ao homem de área sem habilidade e fincado feito um pau no meio da área transformada em deserto de talento.
Champanha!