Juremir Machado da Silva

Duelo em OK. Brasil eleitoral: quem é mais ladrão?

Quem roubou mais?

– Você é ladrão.

– Você também.

– Mas você roubou mais.

– Eu? Não roubei um décimo do que você roubou.

O Brasil chega ao final da corrida eleitoral de 2014 mergulhado numa triste competição: quem roubou mais? O grande eleitor nacional chama-se Paulo Roberto Costa é só não está mais na cadeia porque aceitou se transformar no delator mais temido da nação. Costa, no primeiro lance, fulminou PT, PMDB e PP, acusados de transformar negócios da Petrobrás em propinas combinadas com empreiteiras amigas para abastecer campanhas. Um mensalão dois. O colunismo lacerdinha, com toda razão, vibrou e destacou a nova falcatrua capaz de levar o PT à lona na eleições presidenciais. Aí Costa empatou o jogo e denunciou o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por ter cobrado R$ 10 milhões, que teriam sido pagos pela construtora Queirós Galvão, para abafar uma CPI que pretendia fuçar nos negócios da Petrobrás.

– Empatou uma ova – berra um militante tucano. – E a Gleisi?

A repercussão em certos de órgãos de imprensa não foi a mesma. A tropa de choque do colunismo antiPT não se emocionou com a notícia. A eleição está sendo jogada entre petistas e antipetistas igualmente fundamentalistas e xiitas. Tem eleitor que vota num poste desde que o poste seja contra o PT. Tem eleitor que surta ao pensar em tucanos. A verdade é que colou no PT a pecha de corrupto. O noticiário não desmente essa ideia constrangedora, mas insiste em igualar os contendores, o que parece não ser levado em conta pela claque de cada um. Dilma fingia não tomar em consideração as denúncias de Paulo Roberto Costa contra o PT e seus aliados. Passou rapidamente a dar crédito ao delator quando ele citou o tucano, já falecido, Guerra. Aécio Neves fez o caminho contrário. Acreditou na primeira parte do que Costa disse e finge não ter ouvido a parte sobre Sérgio Guerra.

 

– Somos a mudança – dizem os tucanos.

¬– Vocês são o retrocesso – rebatem os petistas.

Em matéria de Petrobras, se Paulo Roberto Costa for o juiz da pendenga, nunca se sairá do empate técnico. O eleitor desapaixonado fica aturdido: em quem acreditar? Melhor ver as propostas. Elas só aparecem sob a forma de insultos ou de acusações pessoais:

– Aécio, com 17 anos, foi assessor do pai, deputado da Arena. Pegou uma boquinha no Rio, onde morava com a família, sem trabalhar.

– Dilma foi guerrilheira. Participou de assaltos e da luta armada.

– Aécio vai melhorar a economia contra a estagnação do Mantega.

– Não me faz rir? Com o Armínio Fraga e seu pacote recessivo para encantar a especulação internacional e dar dinheiro aos ricos?

A eleição virou uma disputa entre as revistas Veja e CartaCapital ou entre um pretenso Robin Hood e um xerife de cuecas. Os debates têm sido sangrentos e assustadores. A mídia adora, mas faz pose e discursa contra a baixaria quando sente que o seu candidato pode ter levado um soco capaz de fazê-lo beijar a lona do ringue.

– Virou a casa da mãe joana – reclama uma dona de bordel.