Juremir Machado da Silva

Dunga e Maradona

Dunga e Maradona

Brasil e Argentina diferem como água e vinho, tango e samba, espanhol e português, garra e firula.
A Argentina é o vinho. Nós somos o espumante.
A Argentina tem Borges. Nós, Machado de Assis.
Nós temos Dunga. Eles, Maradona.
No passado, Maradona encantou o mundo com seu talento e sua criatividade. Dunga venceu pela disciplina e pela força. São dois estilos, o artístico e o militar.
Maradona liberou o sexo na concentração.
Ganhou o meu apoio. Nunca entendi a imposição da abstinência sexual durante um evento esportivo.
Privar um jovem de sexo durante uma semana é uma castração. Privá-lo durante um mês, é uma tortura.
Dunga afirma que tem quem não goste de sexo.
É uma revelação estonteante.
Eu não convocaria um jogador desinteressado do sexo.
Futebol exige libido, tesão, desejo, prazer.
Para Dunga a concentração é um quartel.
Para Maradona a concentração é uma espera.
Quem ganhará?
Torcerei pelo Brasil.
Mas não posso esconder minha simpatia por Maradona.
Dunga é apolíneo.
Maradona é dionisíaco.
Apolo é a razão.
Dioniso, a festa, a emoção, o vinho.
Dunga é o imaginário diurno, a ordem, a burocracia.
Maradona, o noturno, a boemia, a desordem, o jogo.
Dunga fala em civismo.
Maradona, em paixão.
Dunga é a prosa.
Maradona, a poesia.
Eis o paradoxo: o Brasil se vê como a poesia do futebol. Vemos a Argentina como a prosa da garra.
A bola vai rolar.
Maradona marcou primeiro.